O Brasil já tem seu representante na disputa pelo Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional. A Academia Brasileira de Cinema e Artes Visuais escolheu “Feito Pipa”, de Allan Deberton, entre os seis títulos pré-selecionados de um total de quinze inscritos. A decisão coube a uma comissão de quinze membros presidida pela produtora Clélia Bessa, que descreveu o longa como uma narrativa sensível de comunicação universal, com forte identidade brasileira construída a partir de uma cidade do interior do Ceará.
O filme acompanha Gugu, menino de 11 anos apaixonado por futebol que vive com a avó no sertão cearense. Quando a saúde dela se fragiliza, ele passa a esconder a situação para não ser enviado à casa do pai, em Brasília — um homem que rejeita quem o garoto é. Yuri Gomes vive o protagonista, Teca Pereira interpreta a avó Dilma e Lázaro Ramos faz o pai, Batista. As filmagens ocorreram em Quixadá, e a distribuição nacional é da Paris Filmes.
A escolha chega respaldada por um ano de circuito internacional. “Feito Pipa” teve estreia mundial na Berlinale, na mostra Generation Kplus, onde venceu o Urso de Cristal de Melhor Filme pelo júri jovem e o Grande Prêmio do Júri Internacional, além de concorrer ao Teddy Award. Em Gramado, levou quatro Kikitos: direção, atriz para Teca Pereira, ator coadjuvante para Lázaro Ramos e melhor filme pelo júri popular, com menção honrosa a Yuri Gomes. O longa também foi premiado em Cartagena e em Guadalajara, e teve vendas fechadas para sete países, com lançamento comercial já confirmado na Argentina e na Colômbia.
Lázaro Ramos comemorou a seleção dizendo que a emoção é gigante diante de um ano com tantos filmes brasileiros bons, e que o longa tem um jeito de fazer cinema que só se faz por aqui. O calendário agora é apertado: pré-estreias em Juazeiro do Norte nesta semana, exibição no Festival do Rio em outubro e estreia nacional em 5 de novembro. A shortlist do Oscar sai em dezembro, os cinco indicados são anunciados em 21 de janeiro e a cerimônia acontece em 14 de março de 2027. O país chega à disputa em seu melhor momento na categoria: “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, venceu em 2025, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, somou quatro indicações na edição deste ano.
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