O crescimento do crédito real per capita entre 2024 e 2025 foi puxado pelas famílias, segundo o estudo Fin Regional 2026, da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (FIN). O crédito real por habitante subiu 5,6% na média dos 27 Estados e, desse total, 4,3 pontos porcentuais vieram das pessoas físicas, cerca de três quartos do avanço, enquanto as empresas contribuíram com 1,3 ponto.
O crédito às famílias cresceu em todos os Estados, com taxas entre 2% e 9%, e o empresarial oscilou entre queda de 8% e alta de 19%. "Apesar das diferenças na variabilidade dos dois perfis de crédito, a média da taxa de crescimento dos dois grupos foi parecida (6% para a pessoa física, 4% para a pessoa jurídica)", afirma o estudo.
No comparativo entre Estados, apenas em São Paulo o crédito à pessoa jurídica pesou mais que o de pessoas físicas. Segundo Vinícius Botelho, autor do relatório e gerente de Assuntos Econômicos da FIN, os resultados variaram entre os Estados, "refletindo também as características das atividades econômicas de cada localidade".
Os financiamentos foram o principal componente do crescimento do crédito às famílias em 21 Estados, enquanto, nos outros seis, foram os empréstimos. O financiamento imobiliário foi o que mais impulsionou a modalidade em 18 Estados; nos demais, pesaram outras operações, como financiamento de veículos.
O estudo não se aprofunda nas razões para o aumento desse tipo de crédito nem avalia efeitos sobre preços dos imóveis ou endividamento das famílias. Botelho observa que as modalidades de financiamento são operações com "um grau muito elevado de atenção, tanto do consumidor como da instituição financeira".
Já o crédito empresarial teve comportamento mais desigual, variando de uma queda de 8% a uma alta de 19% entre os Estados. O financiamento foi o principal componente de expansão em 16 unidades da federação, enquanto o crédito rural liderou em cinco.
"Os dados sugerem que o perfil do crédito para empresas dependeu de fatores regionais, como a estrutura produtiva local. Em consequência, o desempenho dessas linhas ficou mais sujeito tanto à exposição das atividades tomadoras de crédito aos ciclos econômicos quanto a fatores específicos de cada setor", afirma o estudo.
Mercado de capitais
No mercado de capitais, as emissões de debêntures e notas comerciais aumentaram em todas as macrorregiões entre 2023 e 2025. Nesse período, o valor emitido pelas empresas com sede nas regiões Norte e Sul cresceu, em termos reais, a um ritmo anualizado igual ou superior a 50%. Para identificar a distribuição regional das emissões, o levantamento considera o Estado em que está registrada a matriz de cada empresa emissora.
Segundo a FIN, os resultados relativos ao mercado de capitais reforçam o padrão já observado de que a expansão recente dos serviços financeiros ocorreu de forma disseminada, contribuindo para reduzir desigualdades regionais de acesso aos produtos dessa atividade econômica e, consequentemente, levando desenvolvimento econômico e social para todas as regiões do País.
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