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Diário de Notícias

DN.

França mobiliza 70 mil policiais, drones e helicópteros para conter violência nos protestos

O governo da França anunciou o envio de 70 mil policiais e gendarmes para conter possíveis distúrbios durante os protestos previstos para este sábado, 24. O esquema de segurança inclui veículos blindados, caminhões com canhões de água, drones e helicópteros, além de militares mobilizados para proteger edifícios públicos e locais estratégicos.

"O dispositivo do próximo sábado será massivo", afirmou o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, durante uma sessão no Parlamento nesta sexta-feira, 23. A declaração ocorreu após parlamentares cobrarem explicações do governo sobre a resposta aos episódios de violência registrados na semana passada, que incluíram confrontos com a polícia, saques e incêndios de prédios públicos.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou que o efetivo será ampliado em relação à semana anterior. Policiais de outras regiões serão enviados para áreas sob responsabilidade da Polícia Nacional, sobretudo grandes cidades, onde as autoridades esperam concentrar os esforços de segurança. Agentes em formação também poderão atuar em missões de apoio, e parte dos policiais que estavam de licença foi convocada novamente.

O governo mobilizará ainda unidades de elite da polícia e da Gendarmaria, além de militares da operação Sentinelle, missão de vigilância criada para reforçar a segurança de locais estratégicos. O esquema prevê o emprego de veículos blindados Centaure da Gendarmaria e 15 caminhões com canhões de água, além de brigadas montadas e equipamentos para combater drones.

O presidente francês, Emmanuel Macron, determinou restrições a manifestações em áreas consideradas de risco, com exceções para atos organizados por entidades consideradas legítimas, como sindicatos. As autoridades locais podem proibir eventos por decreto ou alterar os trajetos previstos.

Em geral, as marchas autorizadas são organizadas por entidades capazes de garantir a segurança dos participantes e ocorrem fora de áreas comerciais centrais. Toques de recolher continuam em vigor em zonas consideradas sensíveis, e o transporte de artefatos pirotécnicos e combustíveis está proibido.

Nuñez afirmou que as forças de segurança terão uma postura "intransigente" diante de atos de violência. O ministro também mencionou convocações nas redes sociais para provocar distúrbios, especialmente atribuídas a grupos de ultra esquerda.

As autoridades judiciais organizaram equipes para acelerar o processamento de detenções. Segundo o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, 232 pessoas foram presas após os episódios de violência do fim de semana anterior e aguardavam julgamento ou já haviam sido condenadas.

Protestos contra o custo de vida

As manifestações previstas para este sábado dão continuidade a uma onda de protestos que ganhou força na França nas últimas semanas, com a participação de estudantes, sindicatos e grupos ligados ao movimento dos Coletes Amarelos.

Os atos reúnem reivindicações relacionadas ao aumento do custo de vida e à situação dos serviços públicos, especialmente da educação. A mobilização ocorre em meio à insatisfação com as políticas do governo do presidente Emmanuel Macron.

No sábado passado, 17 de outubro, manifestações em Paris, Marselha, Lyon, Bordeaux e outras cidades terminaram em episódios de violência, com confrontos entre manifestantes e policiais, saques a lojas, depredações e incêndios. O governo reconheceu falhas na preparação da resposta policial e afirmou que as autoridades subestimaram o número de participantes.

*Com informações de agências internacionais.

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