Poucos artistas conseguem ligar as duas pontas da história do Rock in Rio em pessoa. Gilberto Gil consegue: esteve na primeira edição, em 1985, e voltou ao Palco Mundo na noite desta segunda-feira (7), Dia da Independência, aos 84 anos. Foi ali, diante do público da Cidade do Rock, que ele soltou a frase que virou o assunto da noite — disse ter estado no primeiro Rock in Rio e que talvez aquele fosse o seu último. A plateia respondeu com um coro, e ele devolveu: "É recíproco, é recíproco!".
O show durou pouco mais de uma hora, com cerca de 16 canções e uma seleção que passeou pela obra do baiano e por afetos alheios. Entraram no repertório "Cérebro Eletrônico", "Andar com Fé", "Toda Menina Baiana", "Pela Internet", "Realce", "Palco", "Esperando na Janela", "Vamos Fugir", "Super-Homem – A Canção" e "Aquele Abraço", além dos covers "Rebel Music", de Bob Marley, "Ovelha Negra", de Rita Lee, "Pro Dia Nascer Feliz", de Cazuza e Frejat, e "Atrás do Trio Elétrico", de Caetano Veloso. O produtor Liminha subiu ao palco no baixo em "Vamos Fugir".
É importante não transformar a frase em anúncio. Gil falou em possibilidade, não em aposentadoria, e completou dizendo que está cansado e que vai ver o que acontece — ele já havia sinalizado, ao encerrar a turnê "Tempo Rei", a intenção de seguir fazendo apresentações menores e esporádicas. Aquela turnê, apresentada como a última de grande porte de sua carreira, terminou em 28 de março de 2026 no Allianz Parque, em São Paulo, diante de cerca de 50 mil pessoas, com filhos, netos e bisnetos no palco. O espetáculo foi dedicado à filha Preta Gil, morta em julho de 2025, aos 50 anos.
A noite de 7 de setembro reuniu no Palco Mundo Luísa Sonza com Roberto Menescal, Jon Batiste, Gil e Elton John, que fez sua única apresentação no Brasil e também vive um ciclo de despedidas. No Palco Sunset passaram Vanessa da Mata com Rubel, Roupa Nova com Guilherme Arantes, Péricles e Laufey. O festival, que ocupa o Parque Olímpico nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, anuncia cerca de 190 shows e mais de 1.300 artistas em seis palcos, com capacidade divulgada de 100 mil pessoas por dia — número de capacidade, não de público confirmado. Para quem acompanha a música brasileira, o registro da noite é outro: um dos criadores do Tropicalismo e ex-ministro da Cultura fechando, talvez, um ciclo de quatro décadas com o maior festival do país.
0 Comentário(s)