0

Diário de Notícias

DN.

Guerra no Irã pressiona estoques militares e amplia tensão no Golfo

Guerra no Irã pressiona estoques militares e amplia tensão no Golfo

Mais de 200 dias depois do início do conflito entre Estados Unidos, Israel e seus aliados de um lado e o Irã e grupos alinhados de outro, o Golfo vive uma fase de desgaste prolongado. O episódio mais significativo dos últimos dias foi o ataque com drones ao oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, na virada de 10 para 11 de setembro. Riad confirmou danos em estações de bombeamento e a paralisação da estrutura, que é justamente a rota alternativa capaz de levar petróleo até o Mar Vermelho sem depender do Estreito de Ormuz. Há divergência sobre o prazo de retomada: fontes ligadas ao setor falam em cinco a seis semanas de reparos, enquanto o secretário de Energia americano afirmou que a reabertura ocorreria em poucos dias. Nenhuma data oficial foi anunciada pela operadora.

No Mar Vermelho, os houthis mantêm desde julho um bloqueio declarado contra embarcações ligadas à Arábia Saudita e avançaram sobre a costa iemenita, chegando à ilha de Mayyun, no Bab el-Mandeb. Ao menos oito petroleiros foram atingidos desde o início do bloqueio, dois deles afundados. O ataque de 11 de agosto ao cargueiro Tihamah deixou mortos entre a tripulação e entre socorristas, e a Human Rights Watch concluiu esta semana que ao menos três dessas ações muito provavelmente constituem crimes de guerra. Dirigentes houthis, por sua vez, sustentam publicamente que a navegação comercial não corre perigo do lado iemenita.

O quadro marítimo é o mais visível dos efeitos. O Estreito de Ormuz, que antes da guerra registrava cerca de 125 grandes travessias por dia, teve dias recentes com quatro a dez navios. O prêmio de seguro de risco de guerra saltou de 0,125% para até 0,4% do valor da embarcação, o que pode significar centenas de milhares de dólares extras por travessia. Os números são difíceis de fechar: parte dos navios navega com transponders desligados, e o próprio governo americano afirma que cerca de 10 milhões de barris diários continuam passando pela região — estimativa que convive mal com as contagens de tráfego.

Um debate paralelo ganhou espaço em Washington. Estudos do think tank CSIS e reportagens de veículos americanos apontam consumo elevado de munições de precisão e de interceptadores como Patriot, THAAD e SM-3, com estimativas de que parcela significativa do estoque pré-guerra já tenha sido usada e prazos de reposição de três a quatro anos. Os números variam bastante entre as fontes, e o Pentágono não os confirma: o comandante do Comando Central americano, almirante Brad Cooper, declarou em 14 de setembro não estar nada preocupado com escassez de interceptadores. O reflexo mais direto disso tudo aparece no bolso: o Brent, que valia cerca de US$ 66 antes da guerra, acumula alta superior a 19% só em setembro.

0 Comentário(s)

Faça login para comentar.