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Diário de Notícias

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Haddad: Banco Mundial adorava fazer política pública para 15 pessoas, Lula faz no atacadão

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira, 6, que os governos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fizeram políticas públicas no "atacadão", diferentemente do modelo adotado pelo Banco Mundial, com escopo de poucas pessoas. "O Banco Mundial adorava fazer política pública: Vamos fazer um piloto para 15 pessoas, ficar 20 anos estudando para ver se dá certo, e aí dobrar de 15 para 30 pessoas. Pô, vamos pegar o atacadão e fazer um negócio grande. E nasceram essas grandes políticas públicas", declarou, em Salvador (BA), durante evento de celebração do aniversário de 46 anos do PT.

Haddad citou medidas como o Prouni, a expansão dos institutos federais e outras políticas de educação.

Segundo o ministro, ele foi ao evento do PT como militante, em licença do Ministério de um dia.

Haddad disse na semana passada que sua saída do ministério deve ocorrer em fevereiro e evitou cravar o nome do secretário-executivo da Pasta, Dario Durigan, como seu sucessor.

Ele disse que cabe a Lula fazer o anúncio. "O mês de fevereiro, com certeza", declarou o ministro em entrevista ao portal Metrópoles.

Lula passou a admitir a possibilidade de lançar Haddad como candidato ao Senado por São Paulo.

Críticas ao governo Bolsonaro

No evento em Salvador, Haddad voltou a criticar a condução econômica do governo de Jair Bolsonaro (PL) e disse que houve "um estupro" das contas públicas durante a gestão do ex-presidente da República. "O que aconteceu de 2022 para 2023 é uma espécie de estupro das contas públicas, uma coisa alucinada que aconteceu. Qual é a narrativa da oposição? Nós entregamos em 2022 um superávit primário, e o governo Lula inaugurou uma fase de enormes déficits primários que estão acabando com as finanças do País. Essa é a narrativa", declarou.

Haddad citou a aprovação da PEC dos Precatórios e ressaltou que o antigo governo vendeu a narrativa de contas públicas em ordem, mas que, diante do fracasso eleitoral iminente, aprovou medidas prejudiciais.

"Ele, governo Bolsonaro, imaginou que fosse comprar voto nos últimos dois meses, agosto e setembro, para ganhar a eleição, e ele dizia isso. ... E obviamente que botou a Polícia Rodoviária Federal para não deixar os petistas votarem, como vocês sabem. Tudo isso não deu certo, destacou o ministro.

Ele afirmou que a "ciência política não consegue explicar o fenômeno Lula", que saiu da prisão e conseguiu vencer a eleição presidencial. Disse, porém, que a comunicação do governo petista virou uma "coisa complexa demais", porque atualmente há contestação de fatos, como dados de órgãos oficiais.

Arcabouço

O ministro da Fazenda disse ainda que é possível discutir o arcabouço fiscal aprovado em 2023 e instituído em 2024, mas defendeu que ele foi "o possível acordo" para superar o teto de gastos instituído no governo Michel Temer (MDB). Haddad ainda sustentou que o governo atacou os gastos tributários e discutiu cada benefício e subsídio.

"Eu vejo muitas pessoas legitimamente questionando (o arcabouço). Podemos discutir, mas foi o possível acordo para superar o teto de gastos, que já estava com chaminés em todo canto, com furos de todo jeito, aquilo já tinha sido desmoralizado", afirmou o ministro, salientando o apoio do Congresso para essa mudança.

Ao defender que o governo organizou as contas públicas, após "uma tentativa atroz de tentar reverter o favoritismo eleitoral do Lula em 2022", Haddad disse ser "muito fácil" aprovar medidas como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), sem destinar os recursos para financiar. "O mesmo acontece com o BPC, é muito fácil você aprovar a flexibilização dos critérios de elegibilidade do BPC, mas vai arrumar o recurso para pagar. Pega a curva de atendimento do BPC e vê quem arcou com a questão de fazer chegar o benefício que a nova lei determinou. Foi o presidente Lula", defendeu.

Haddad afirmou ter tido dificuldades quando recebeu o Orçamento de 2023 do governo Bolsonaro e lembrou de uma conversa que teve com aliados na casa do deputado Arthur Lira (PP-AL).

"Eu falei: Nós não estamos discutindo quem vai ganhar o campeonato, nós estamos discutindo se vai ter campeonato, Isso aqui, essa peça orçamentária é uma ficção, é uma loucura o que foi encaminhado para cá. Ou a gente toma uma providência, ou esse País fecha em junho, tem um shutdown em junho", contou o ministro da Fazenda.

E continuou: "Eu nunca vi a necessidade do Ministério da Fazenda estar sentado quase que permanentemente numa mesa de negociação, discutindo projeto a projeto, explicando projeto a projeto, para conseguir aprovar tudo o que a gente aprovou."

Em seguida, Haddad disse que o PT não tem "nenhuma razão" para ter medo de entrar na disputa, em relação às eleições de 2026, falando de economia, pois há números positivos a serem apresentados. Ele citou dados de inflação, desemprego, renda, Índice de Gini e investimentos em infraestrutura.

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