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Haddad: é possível discutir arcabouço, mas foi o possível acordo para superar teto de gastos

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira, 6, que é possível discutir o arcabouço fiscal aprovado em 2023 e instituído em 2024, mas defendeu que ele foi "o possível acordo" para superar o teto de gastos instituído no governo Michel Temer (MDB). Haddad ainda sustentou que o governo atacou os gastos tributários e discutiu cada benefício e subsídio.

"Eu vejo muitas pessoas legitimamente questionando (o arcabouço). Podemos discutir, mas foi o possível acordo para superar o teto de gastos, que já estava com chaminés em todo canto, com furos de todo jeito, aquilo já tinha sido desmoralizado", afirmou o ministro, salientando o apoio do Congresso para essa mudança.

Haddad discursou em reunião do diretório nacional do PT, em Salvador (BA), presidida pelo presidente do partido, Edinho Silva. Ressaltou que pediu férias de um dia para discursar no evento, estando lá na condição de militante do partido, e não de ministro.

Ao defender que o governo organizou as contas públicas, após "uma tentativa atroz de tentar reverter o favoritismo eleitoral do Lula em 2022", Haddad disse ser "muito fácil" aprovar medidas como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), sem destinar os recursos para financiar. "O mesmo acontece com o BPC, é muito fácil você aprovar a flexibilização dos critérios de elegibilidade do BPC, mas vai arrumar o recurso para pagar. Pega a curva de atendimento do BPC e vê quem arcou com a questão de fazer chegar o benefício que a nova lei determinou. Foi o presidente Lula", defendeu.

Haddad afirmou ter tido dificuldades quando recebeu o Orçamento de 2023 do governo Bolsonaro e lembrou de uma conversa que teve com aliados na casa do deputado Arthur Lira (PP-AL).

"Eu falei: Nós não estamos discutindo quem vai ganhar o campeonato, nós estamos discutindo se vai ter campeonato, Isso aqui, essa peça orçamentária é uma ficção, é uma loucura o que foi encaminhado para cá. Ou a gente toma uma providência, ou esse País fecha em junho, tem um shutdown em junho", contou o ministro da Fazenda.

E continuou: "Eu nunca vi a necessidade do Ministério da Fazenda estar sentado quase que permanentemente numa mesa de negociação, discutindo projeto a projeto, explicando projeto a projeto, para conseguir aprovar tudo o que a gente aprovou."

Em seguida, Haddad disse que o PT não tem "nenhuma razão" para ter medo de entrar na disputa, em relação às eleições de 2026, falando de economia, pois há números positivos a serem apresentados. Ele citou dados de inflação, desemprego, renda, Índice de Gini e investimentos em infraestrutura.

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