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Diário de Notícias

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Ibovespa ignora NY e opera nas mínimas com temores políticos do mercado e queda das commodities

O Ibovespa cai nesta sexta-feira, 11, em meio ao recuo das commodities e de olho na cena política e depois do avanço na véspera. A baixa ocorre apesar da alta das bolsas de Nova York e da Europa.

O principal indicador da B3 cede mesmo com a queda dos juros futuros, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, com deflação mais intensa do que a prevista.

Investidores ainda digerem índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que veio em linha com o previsto, e aguardam a pesquisa eleitoral Datafolha, prevista para esta sexta.

"A deflação do IPCA de agosto é um ponto positivo, que ajudou a dar fôlego inicial à Bolsa. O ponto negativo, é a inflação alta nos Estados Unidos, medida pelo CPI, o que aumenta as chances de aumentos dos juros por lá", diz Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Em contrapartida, a queda do petróleo e do minério de ferro pesa no índice, assim como ruídos políticos, antes da pesquisa eleitoral Datafolha, prevista para hoje, e do final de semana, completa Sung.

Tanto o IPCA quanto o índice de preços ao consumidor norte-americano reforçam apostas de nova queda de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic e aumento nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), na quarta-feira que vem.

O IPCA caiu 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho, acumulando variação positiva de 4,22% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados vieram abaixo das medianas encontradas em pesquisa Projeções Broadcast, de -0,29% e avanço de 4,26%. Conforme o banco BV, a difusão do IPCA atingiu 54,38% em agosto, ante 46,30% em julho.

Para Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, a queda do IPCA "abre caminho" para mais um corte na Selic, de 14% para 13,75%, na quarta-feira que vem.

O CPI subiu 0,4% em agosto na margem e 3,4% na comparação interanual, dentro do esperado. "Contribui para o Fed elevar os juros na semana que vem, tendo em vista que os dados de inflação foram acima das expectativas e não foram capazes de demonstrar uma tendência de desinflação na economia americana", diz Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital.

No campo político brasileiro, pesquisa Futura/100% Cidades divulgada hoje aponta o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na liderança do primeiro turno com 39,2% das intenções de voto, seguido de Flávio Bolsonaro (PL) com 33,6%, Augusto Cury (Avante) com 6,4%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4,4%, Renan Santos (Missão) com 4,3%, Pablo Marçal (PRTB) com 2,3% e Romeu Zema (Novo) com 0,7%.

A pedido do presidente do STF, Edson Fachin, o ministro André Mendonça derrubou o sigilo do inquérito sobre as fraudes do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e de outros 14 processos, preservando documentos que possam prejudicar as investigações. Os autos foram enviados aos ministros. Ainda, o STF publicou dois contratos do Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

Na avaliação de operadores, o risco político segue no radar, diante da possibilidade de que as investigações recentes afetem a campanha do senador, principal oponente do presidente Lula e visto como mais expansionista, pelo mercado financeiro.

Às 11h26, o Ibovespa caía 0,81%, na mínima em 186.741,76 pontos, ante alta de 0,17%, na máxima em 188.586,47 pontos, e abertura estável a 188.267,71 pontos.

O minério de ferro fechou em queda de 1,78% em Dalian e de 2,52% em Singapura. Já o petróleo cedia mais de 2%, depois de alta de quase 6% na véspera, diante de temores com a oferta da commodity, devido aos conflitos entre EUA e Irã.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 1,42%, aos 188.268,59 pontos, subindo 1,69% na semana, refletindo a reação positiva do mercado às novas pesquisas eleitorais apontando chance de vitória da oposição nas eleições presidenciais e com os desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

O levantamento da Atlas/Bloomberg confirmou a expectativa de avanço nas intenções de voto do senador do PL, mas em ritmo menor do que o esperado, diz um especialista em renda variável.

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