As equipes de resgate da Indonésia entraram nesta quarta-feira (16) no quarto dia de buscas pelos desaparecidos do naufrágio da balsa KM Virgo Transport 8, no Mar de Java. Segundo o balanço mais recente divulgado pela Basarnas, a agência nacional de busca e salvamento, 129 pessoas continuam desaparecidas, 108 foram resgatadas com vida e seis mortes estão confirmadas. As vítimas já foram identificadas, e cinco corpos começaram a ser levados de volta às cidades de origem.
A embarcação havia partido de Surabaya, em Java Oriental, na manhã de 12 de setembro, com destino a Banjarmasin, na ilha de Bornéu. Levava 243 pessoas — 213 passageiros e 30 tripulantes — além de 89 veículos. Por volta da meia-noite, o comandante comunicou mau tempo ao agente do navio. Cerca de duas horas depois, informou que a embarcação estava adernando, e o contato se perdeu. Os primeiros sobreviventes foram recolhidos por três navios comerciais que passavam pela região.
As dificuldades são consideráveis. As ondas variaram entre 1,75 e 3 metros nos últimos dias, o que restringiu a operação à superfície e ao ar durante boa parte do tempo. O casco permanece emborcado, a cerca de 30 metros de profundidade, e derivou aproximadamente 1,6 milha náutica para oeste. A área de busca foi sucessivamente ampliada e chegou a 6.120 milhas náuticas quadradas, divididas em seis setores, justamente porque correntes e ondas podem ter levado pessoas para longe do ponto do acidente. Participam helicópteros, aviões, navios da Marinha, drones térmicos, um veículo submarino remotamente operado e equipes especializadas de mergulho. As estimativas de efetivo variam entre 655 e mais de mil pessoas, conforme a fonte e o dia.
Sobre as causas, nada está definido. O Comitê Nacional de Segurança de Transportes foi enviado ao local e faz a investigação preliminar, ouvindo sobreviventes e tripulantes. Um passageiro resgatado relatou à imprensa que havia superlotação, com gente dormindo nos corredores, e levantou a hipótese de que caminhões mal distribuídos no convés tenham afetado a estabilidade — mas ele mesmo reconheceu não ter elementos para afirmar isso. O ministro dos Transportes, Dudi Purwagandhi, declarou em coletiva que o navio não navegava em condição de sobrecarga e pediu que se aguarde a conclusão do comitê. A embarcação, construída em 1987 no Japão, tinha 39 anos. A Indonésia, com mais de 17 mil ilhas, depende fortemente de balsas, e foi o terceiro grande acidente do tipo na Ásia-Pacífico em uma semana.
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