A inflação brasileira apresentou desaceleração em outubro, mas o aumento dos preços dos alimentos voltou a pesar no orçamento das famílias. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgados nesta sexta-feira (23), a prévia da inflação oficial registrou alta de 0,32%, abaixo dos 0,70% observados em setembro. Apesar do resultado menor que o esperado pelo mercado financeiro, os preços acumulam avanço de 4,62% em 12 meses, ultrapassando o teto de tolerância da meta de inflação, estabelecido em 4,5%.
O grupo de alimentação e bebidas foi um dos principais responsáveis pela pressão sobre o índice, com aumento de 0,88% no mês. Os alimentos consumidos dentro de casa ficaram 1,01% mais caros, com destaque para produtos como tomate, cebola e batata. O tomate apresentou elevação de 24,54%, tornando-se um dos itens que mais contribuíram para a alta dos preços. A alimentação fora do domicílio também registrou encarecimento, ampliando os desafios para consumidores que dependem de restaurantes e outros estabelecimentos no cotidiano.
Por outro lado, a redução de alguns custos ajudou a conter a inflação. As passagens aéreas apresentaram queda de 9,24%, enquanto a energia elétrica residencial ficou mais barata após a adoção da bandeira tarifária verde. O grupo habitação registrou recuo de 0,10%. Já os combustíveis seguiram na direção contrária, com aumento de 1,20%, incluindo alta de 0,92% no preço da gasolina, fator que também influencia os custos de transporte e distribuição de mercadorias.
O resultado reforça a preocupação com o poder de compra da população brasileira, especialmente entre as famílias de menor renda, que destinam uma parcela significativa do orçamento à alimentação. Embora a desaceleração mensal represente um sinal positivo, a inflação acumulada acima do limite da meta indica que o controle dos preços continua sendo um desafio para a economia nacional. Com a aproximação da Black Friday e das compras de fim de ano, o comportamento dos preços e a capacidade de consumo das famílias deverão permanecer no centro das atenções do comércio e do mercado financeiro.
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