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Diário de Notícias

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O Johnnie agora vem com “RG” próprio

Um ano depois da crise do metanol em bebidas adulteradas, a Diageo levou ao mercado brasileiro um selo de autenticação que funciona como uma espécie de documento de identidade para cada garrafa. Batizado de Selo Drink Seguro, o dispositivo é aplicado na tampa e pode ser conferido pelo consumidor com a câmera do próprio celular, sem aplicativo. A iniciativa foi anunciada em 15 de setembro, embora a aplicação nas linhas de produção tenha começado em fevereiro.

A verificação leva cerca de cinco segundos. Ao apontar a câmera para o selo, o aparelho é direcionado à plataforma oficial Diageo.ID, onde um sistema de inteligência artificial analisa o padrão impresso e devolve a confirmação de autenticidade. Caso a leitura resulte em “não identificado” depois de uma segunda tentativa, a orientação é não consumir o produto. A tecnologia foi desenvolvida com a Securetrace, empresa brasileira fundada em 2017 que já havia trabalhado em soluções de autenticação para o passaporte nacional e para a nota de R$ 100. Cada selo carrega uma impressão digital única, com mais de 27 trilhões de combinações possíveis, e a companhia declara eficiência de 99,99% contra falsificações, com certificação pela norma internacional ISO 12931.

A escala já é relevante. São 32 milhões de unidades aplicadas em 49 produtos, o equivalente a todo o portfólio brasileiro da companhia — 17 marcas ao todo, entre elas os uísques Johnnie Walker, Buchanan's, Old Parr, White Horse e Talisker, os gins Tanqueray e Gordon's, as vodcas Smirnoff, Cîroc e Ketel One, a tequila Don Julio, o rum Zacapa e o licor Baileys. A expectativa é que o estoque em circulação esteja integralmente coberto até o fim do ano.

Para bancar a operação, a Diageo consolidou as verbas de cinco de suas grandes marcas e destinou 40% do investimento de mídia previsto para o ano fiscal de 2026/2027 à iniciativa, com campanha assinada pela AlmapBBDO em televisão, digital, mídia externa e ponto de venda. Os custos foram absorvidos pela empresa, sem repasse de preço ao consumidor. Paula Lindenberg, presidente da Diageo no Brasil, descreveu a medida como um novo passo na agenda de proteção ao consumidor e de fortalecimento do mercado formal. Segundo dados da Euromonitor citados pela companhia, a falsificação responde por 4,7% do mercado brasileiro de destilados. O surto de intoxicação por metanol iniciado em setembro do ano passado deixou 22 mortes confirmadas em balanço oficial encerrado em dezembro.

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