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Joshua Kushner cita 'política do futebol' sobre plano da Fifa: 'Falhamos em compreender'

Joshua Kushner falou pela primeira vez desde que se tornou público o plano da Fifa para receber investimentos privados. O empresário lidera a Thrive Capital, escolhida para liderar um grupo de investidores interessados em aportar o equivalente a R$ 21,4 bilhões somente em 2026 na Fifa Forward Enterprise. A empresa seria uma subsidiária com todas as competições masculinas, femininas e juvenis em seu portfólio.

A proposta acabou arquivada após a repercussão negativa no mundo do futebol e gerou uma crise na Fifa meses antes do lançamento das candidaturas da eleição presidencial da entidade. Aos poucos, Gianni Infantino, que busca a reeleição, remonta o apoio que tinha.

Para Kushner, houve uma falha em compreender as possíveis reações, o que poderia até mesmo evitar que a Thrive estivesse no plano. "Embora apoiemos as motivações da FFE, não conseguimos compreender a dinâmica política do futebol global e até onde alguns chegariam. A Thrive tem um longo histórico de parceria com todos os seus constituintes. Se soubéssemos no que isso se transformaria, não teríamos nos envolvido", disse em comunicado segunda-feira.

Na avaliação de Kushner, a proposta mirava em investimento maior em "nações subdesenvolvidas", ao "direcionar mais capital e participação acionária de forma igualitária entre todos os 211 países membros". O projeto também tinha consultoria do JP Morgan.

"Historicamente, o dinheiro no futebol tem se concentrado em um pequeno grupo de países. Era uma ideia sobre a qual cada associação-membro votaria, não uma obrigação ou determinação", disse, em resposta às críticas de que o plano foi imposto pela gestão Infantino. Ainda que a FFE ainda fosse votada, a elaboração não contou com participação das associações.

Joshua Kushner era uma das conexões do plano com Donald Trump. Ele é irmão de Jared Kushner, genro e conselheiro político do governo americano. O pai dos dois é Charles Kushner, embaixador dos Estados Unidos na França e Mônaco.

Fundador da Thrive Capital, Joshua tem João Paulo Lemann como um de seus parceiros de investimentos. O empresário que figura entre as três pessoas mais ricas do Brasil comprou uma participação da gestora de Kushner em 2023. Lemann integrou o negócio junto do indiano Mukesh Ambani e do francês Xavier Niel, investindo US$ 175 milhões por 3,3% das ações da empresa americana.

Na época, o negócio avaliou a Thrive em US$ 5,3 bilhões, uma valorização em relação aos US$ 3,6 bilhões apontados em 2021.

Kushner, por meio da empresa, foi um dos primeiros investidores da SpaceX, organização de tecnologia e transporte aeroespacial fundada por Elon Musk, e da OpenAI, empresa de inteligência artificial criadora do ChatGPT.

Ele também levou investimentos da Thrive Capital ao Nubank, ao Spotify e à Twitch. A Thrive tem também cerca de 10% das ações do San Francisco Giants, tradicional equipe americana de beisebol.

Fundada em 2010, a companhia detém cerca de US$ 60 bilhões (R$ 304,39 bilhões) sob gestão. Segundo a Forbes, a participação de Joshua na empresa é de 66%, e o patrimônio particular dele é estimado em US$ 5,2 bilhões (R$ 26,38 bilhões), o 802º maior do mundo hoje.

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