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Jovens protestam na Bastilha e convocam novo ato após falta de acordo com governo francês

Jovens protestam na Bastilha e convocam novo ato após falta de acordo com governo francês

Organizações estudantis e sindicatos da França convocaram nesta quinta-feira, 8, uma grande manifestação para a próxima terça-feira, 13, após considerarem insuficientes as respostas do governo francês às suas reivindicações por medidas concretas para melhorar as condições de ensino no ensino médio.


"Enquanto não houver € 10 bilhões sobre a mesa, continuaremos nos mobilizando", afirmou a porta-voz da Union Étudiante, Sabrine Kharbach, ao anunciar a nova data das manifestações e da greve e convocar uma adesão "massiva".


Na última terça-feira, entre 266 mil e 450 mil pessoas já haviam participado dos protestos.


O ministro da Educação Nacional da França, Édouard Geffray, se reuniu nesta quinta-feira com representantes das três principais organizações estudantis. Antes do encontro, ele afirmou que anunciaria em breve as medidas de seu "plano de emergência" para atender a uma das reivindicações: a substituição de professores ausentes.


Segundo o jornal francês Le Monde, Geffray participará de um programa da emissora francesa TF1 às 20h no horário local (15h em Brasília) desta quinta-feira, quando deve apresentar os primeiros resultados das reivindicações feitas pelos estudantes do ensino médio e anunciar as primeiras medidas concretas.


Dezenas de milhares de pessoas voltaram a percorrer as ruas de Paris e de outras cidades para denunciar a falta de substituição de professores ausentes e a sobrecarga de horários, além de salas de aula deterioradas e incapazes de suportar o aumento das temperaturas.


Na Praça da Bastilha, em Paris, dezenas de jovens subiram no famoso monumento situado no centro da cidade. Alguns deles agitavam a bandeira francesa e cantavam o hino nacional, antes de policiais retirarem as pessoas da área com o uso de bombas de gás lacrimogêneo.


Sentado com as pernas penduradas sobre o topo de um ponto de ônibus, um estudante segurava um cartaz com os dizeres: "Motivo da ausência: ocupado demais lutando pelo nosso futuro."


No nordeste de Paris, estudantes bloquearam o colégio Hélène Boucher com contêineres de lixo, antes de policiais intervirem com gás lacrimogêneo. A escola tem sido um dos principais pontos de confronto na capital francesa e foi uma das centenas de instituições afetadas pelos protestos nesta quinta-feira.


Policiais se concentraram nas ruas próximas enquanto os estudantes se reuniam em frente ao colégio. Muitos manifestantes usavam máscaras cirúrgicas ou capuzes.


O Ministério da Educação informou que 375 escolas estavam total ou parcialmente fechadas nesta quinta-feira.


Desde o fim de setembro, jovens, em sua maioria com idades entre 15 e 18 anos, reivindicam melhorias no último ciclo do ensino médio, além da suspensão ou de mudanças no Parcoursup, sistema de acesso ao ensino superior que consideram pouco transparente. Desde então, mais de 6,6 mil pessoas foram presas.


O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, afirmou na noite de quarta-feira, 7, que "ninguém pode permanecer indiferente às angústias expressas" pelos estudantes, mas adiou as "primeiras decisões" para o "fim de outubro", sem anunciar medidas concretas.


Os protestos ocorrem em um contexto de tensão para o governo, que busca aprovar no Parlamento um orçamento para 2027 com um forte ajuste fiscal de US$ 60 bilhões, a fim de limitar o elevado déficit e a dívida pública recorde.


Além disso, os eleitores deverão escolher no próximo ano o sucessor do presidente francês, Emmanuel Macron. A líder de extrema direita Marine Le Pen, favorita nas pesquisas, acusou Macron de estar "sempre ao lado daqueles que atacam a polícia".


*Com informações de agências internacionais.

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