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Diário de Notícias

DN.

Lula adia medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não aplicará a Lei da Reciprocidade enquanto as negociações comerciais com os Estados Unidos estiverem em andamento. A declaração foi dada em entrevista concedida em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU, na segunda-feira (21). "Nós estamos negociando e, enquanto ainda estamos na mesa de negociações, eu não tenho que aplicar a lei da reciprocidade", disse.

Lula condicionou a retaliação ao fracasso do diálogo. Segundo o presidente, se não houver acordo, o país terá de recorrer ao instrumento, mas a decisão será analisada com cautela. "Eu não quero entrar em uma guerra de tarifas com os Estados Unidos", afirmou, acrescentando que o governo ainda avalia quais produtos poderiam ser incluídos em eventual lista de medidas. Nenhum item foi divulgado publicamente.

O impasse decorre da sobretaxa imposta por Washington a produtos brasileiros: uma tarifa de 25% aplicada em 22 de julho, somada a um adicional de 12,5% anunciado dois dias depois. As medidas atingem cerca de 23% das exportações brasileiras ao mercado americano. A Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, autoriza o Brasil a adotar contramedidas comerciais, mas ainda não foi acionada. Paralelamente, o país questionou as tarifas na Organização Mundial do Comércio.

As tratativas formais foram retomadas em 31 de agosto, após uma primeira reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Nos bastidores, a avaliação do governo brasileiro é de que dificilmente haverá avanço significativo antes das eleições americanas. Em Nova York, Lula discursaria na abertura da Assembleia Geral nesta terça-feira (22), sem reunião bilateral confirmada com o presidente Donald Trump.

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