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Diário de Notícias

DN.

Mãe liga para celular do filho após saber de ataque em escola no Canadá

Em entrevista à rádio CBC, Shelley Quist, mãe de Darian Quist, estudante da Escola Secundária Tumbler Ridge, alvo de um ataque no Canadá, contou que estava no hospital onde trabalha quando um colega perguntou se ela sabia do ocorrido na escola de seu filho.

Ela correu até o escritório do centro médico, de onde consegue ver a instituição, e observou dezenas de policiais e socorristas ao redor do prédio.

"Foi então que liguei e disse a ele: 'Me deixa na linha'. Quando ele precisava ficar quieto, eu também ficava quieta. Naquele momento, eu estava tentando entender o que estava acontecendo", contou Shelley.

Os estudantes usaram mesas para bloquear as portas das salas e tentar se proteger após ouvirem o alarme de segurança soar pelos corredores da instituição.

Pouco depois, todos os funcionários que tinham filhos foram dispensados, e ela foi para casa aguardar por notícias. Ela ouviu pelo telefone o momento em que os policiais entraram na sala e resgataram o filho. "Eu praticamente corri até lá", disse. "Dei-lhe um abraço muito, muito apertado."

Aula de mecânica

Durante a entrevista à rádio, Darian contou que tudo transcorria normalmente na escola minutos antes do atentado. Ele estava na aula de mecânica com os colegas, assistindo a um vídeo sobre como trocar baterias, quando, por volta das 13h30 no horário local, ouviu as sirenes. A sala ficava distante da entrada da escola e, por isso, eles não conseguiram ouvir os disparos.

"O alarme começou a soar nos corredores, dizendo: 'Isto é um confinamento, fechem as portas'", disse Darian. "Acho que, por algum tempo, não pensei que estivesse acontecendo nada. Imaginei que fosse apenas uma medida de segurança. Mas quando tudo começou a circular e percebemos que algo estava errado, pegamos mesas e barricamos as portas."

Professor brasileiro relata pânico

O professor Jarbas Noronha lecionava mecânica para alunos do último ano no momento do ataque e presenciou o caos e a apreensão. Ele é brasileiro, mas mora no Canadá há quatro anos com a esposa.

Em entrevista ao The New York Times, Noronha explicou que estudantes com boa frequência são autorizados a mexer nos próprios carros durante as aulas de mecânica. Um dos alunos saiu para buscar seu veículo, mas retornou rapidamente e disse ao professor que havia ouvido tiros do lado de fora.

Segundo o brasileiro, dois minutos depois, a diretora da Escola Secundária Tumbler Ridge, Stacie Gruntman, foi até a porta da sala e determinou que todos se trancassem. Noronha e os 15 estudantes presentes usaram bancos para bloquear as portas que davam acesso ao corredor e à garagem.

"Estávamos na parte mais segura da escola", disse o professor. "Se alguém tentasse invadir pela porta do corredor, correríamos para o pátio pelas portas da garagem."

Darian afirmou que ficou preso na sala por cerca de duas horas e meia, antes de ser retirado e escoltado por policiais junto com os colegas. "Parecia um lugar que eu só tinha visto na TV", disse.

Tumbler Ridge é uma pequena comunidade rural, com cerca de 2,4 mil habitantes, no nordeste da província da Colúmbia Britânica. A escola onde ocorreu o atentado, que leva o mesmo nome da cidade, tem cerca de 160 alunos do ensino fundamental e médio. Na turma de Darian, que está no último ano, há apenas 20 alunos.

A suspeita de realizar o ataque, que está entre os mortos, já foi identificada, mas a identidade não foi divulgada. A motivação do crime e a relação entre as vítimas e a autora dos disparos ainda serão investigadas.

Além da atiradora, seis pessoas foram encontradas mortas dentro da escola, e outra morreu enquanto era levada a um hospital, segundo a Polícia Montada do Canadá (RCMP, na sigla em inglês). As autoridades acreditam ainda que outras duas vítimas fatais localizadas em uma casa próxima ao colégio também estão ligadas ao tiroteio.

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