Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram o advogado Walfrido Warde articulando uma aproximação entre o empresário e o governo federal entre 2024 e 2025, segundo reportagem do jornal O Globo. Nas conversas, Warde diz ao banqueiro que esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e relata supostos recados dele. As mensagens trazem apenas a versão do advogado; não há confirmação de que os encontros ocorreram como descrito nem de que Lula tenha dito o que lhe é atribuído.
Segundo a reportagem, a articulação começou em abril de 2024, quando Warde procurou o então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, e pediu a Vorcaro uma lista de temas a serem levados ao Planalto. Em setembro daquele ano, o advogado escreveu que havia estado longamente com o presidente e que o banqueiro iria gostar; não há registro de entrada de Warde no palácio nessa data. Em novembro, mencionou um recado do ministro da Justiça e do presidente. Vorcaro e Lula se encontraram em 4 de dezembro de 2024, em reunião fora da agenda oficial, com a presença de ministros e auxiliares.
O Planalto afirma que essa reunião foi o único contato entre os dois, que o presidente desconhecia a atuação do advogado e que Lula não enviou recados nem recebeu presentes. Segundo o governo, no encontro Vorcaro disse se sentir perseguido, e Lula respondeu que o caso deveria ser tratado tecnicamente pelo Banco Central. Warde afirmou que as mensagens se referiam a conversas com integrantes do governo, e não a tratativas diretas com o presidente sobre o banqueiro. O ex-chefe de gabinete disse ter agido dentro das atribuições do cargo, e o ex-ministro Ricardo Lewandowski negou ter tratado do assunto com Warde ou com Lula. A defesa de Vorcaro não se manifestou.
Vorcaro foi preso pela PF em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. As mensagens integram o material apreendido nas investigações sobre o banco, que seguem em andamento. Warde, que chegou a atuar na defesa do banqueiro, deixou o caso durante as negociações de uma colaboração premiada.
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