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Diário de Notícias

DN.

Novo estudo pode auxiliar a previsão de calor extremo na Amazônia

El Niño e aquecimento de oceanos podem indicar eventos de calor extremo com até sete meses de antecedência

Com participação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), novo estudo identifica padrões de variabilidade climática nos oceanos Pacífico e Atlântico e a ocorrência de extremos de temperatura na Amazônia. Os resultados indicam que determinadas condições oceânicas associadas ao El Niño e ao aquecimento do Atlântico tropical podem indicar sinais de risco de calor extremo com meses de antecedência, contribuindo para o aprimoramento de sistemas de monitoramento e previsão climática para a região.

Publicada na revista científica Earth’s Future, a pesquisa reuniu cientistas do INPE, da University of New South Wales (UNSW Sydney), da Australian National University e da University of Melbourne. Foram analisados dados de temperatura, precipitação e padrões climáticos de grande escala entre os anos de 1950 e 2023, considerando seis regiões climáticas da Bacia Amazônica. Por meio de métodos estatísticos e técnicas de aprendizado de máquina, os pesquisadores investigaram de que maneira fenômenos oceânico-atmosféricos poderiam estar relacionados à ocorrência de eventos extremos de calor e de calor associado à seca.

Em grande parte da Amazônia, no período de março a maio, os extremos de calor estavam associados a condições climáticas observadas até sete meses antes. Este resultado representa um importante indício de previsibilidade climática, mas não significa que eventos de calor e seca possam ser previstos de forma confiável com sete meses de antecedência.

“O sinal de sete meses representa uma relação precursora de longo prazo para extremos de calor, e não uma demonstração de que eventos compostos de calor e seca possam ser previstos de forma confiável com sete meses de antecedência”, destacam os autores.

Os resultados variaram de acordo com a época do ano e a região da Amazônia. Entre setembro e novembro, os extremos de calor estiveram principalmente relacionados ao aquecimento anterior do Atlântico Norte tropical. Já entre dezembro e fevereiro, o calor extremo em grande parte da bacia apresentou relação com o aquecimento mais recente do Atlântico Sul tropical. Sinais associados ao El Niño também foram identificados no sul da Amazônia e na região de transição entre os Andes e a bacia amazônica.

Calor e seca

Além dos extremos de temperatura, o estudo avaliou eventos de calor e seca, caracterizados pela ocorrência simultânea de temperaturas muito altas e períodos prolongados de estiagem.

Esses eventos causam impactos nos ecossistemas amazônicos, no risco de incêndios florestais, na saúde humana, na segurança alimentar e na disponibilidade de água. Também podem afetar a capacidade da floresta de absorver dióxido de carbono da atmosfera.

El Niño 

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico e por alterações na circulação atmosférica. Na Amazônia, essas condições podem reduzir a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas em determinadas áreas, aumentando a quantidade de radiação solar que chega à superfície e reduzindo a disponibilidade de água para o resfriamento do ambiente por evaporação.

O fenômeno também pode influenciar as condições de temperatura do Atlântico tropical. A atuação conjunta das condições do Pacífico e do Atlântico pode favorecer períodos mais quentes e secos em diferentes áreas da Bacia Amazônica.

A intensidade dos eventos varia ao longo do ano e entre as regiões da Amazônia, que apresenta grande diversidade de regimes de precipitação, cobertura vegetal, características do terreno e ciclos sazonais.

Os autores ressaltam que os resultados representam uma demonstração de potencial de previsibilidade, e não o desempenho de um sistema operacional de previsão em tempo real. Para transformar as relações identificadas em ferramentas de alerta climático, serão necessários novos estudos utilizando modelos climáticos operacionais e incorporando outras variáveis, como umidade do solo, condições da vegetação e circulação atmosférica regional.

Ainda assim, o estudo contribui para identificar períodos e regiões em que o acompanhamento das condições dos oceanos Pacífico e Atlântico pode fornecer informações antecipadas sobre o aumento do risco de calor extremo na Amazônia.



Apurado por: João Reis

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