A obesidade avançou de forma expressiva no Brasil nas últimas três décadas e já atinge mais de um quarto da população adulta. Um estudo publicado neste mês na revista científica The Lancet mostra que a prevalência da condição entre brasileiros com 25 anos ou mais passou de 7,8% em 1990 para 27,7% em 2023.
O levantamento faz parte da série Carga Global de Doenças e analisou dados de 17 países da América Latina. Entre as nações avaliadas, o Brasil apresentou o maior crescimento da obesidade no período. Quando sobrepeso e obesidade são considerados em conjunto, a proporção de brasileiros acima do peso adequado passou de 40,3% para 66,8%. Na prática, cerca de dois em cada três adultos estavam com excesso de peso em 2023.
Pesquisadores relacionam esse avanço a mudanças importantes nos hábitos da população. Nas últimas décadas, o país conseguiu reduzir a desnutrição, mas passou por uma transformação no padrão alimentar, marcada pela maior presença de produtos ultraprocessados e pela redução do consumo de alimentos tradicionais e in natura. Ao mesmo tempo, o sedentarismo e o tempo de exposição a telas cresceram.
A substituição de alimentos como arroz, feijão, frutas, verduras e hortaliças por produtos com altos níveis de açúcar, sódio e gordura preocupa especialistas. Além do valor nutricional reduzido, os ultraprocessados estão amplamente disponíveis, têm preparo rápido e recebem forte investimento em publicidade, fatores que favorecem sua presença cada vez maior na alimentação cotidiana.
Outro ponto de atenção é a obesidade infantil. Especialistas destacam que o excesso de peso desenvolvido nos primeiros anos de vida pode ser mais difícil de reverter e aumentar a predisposição para obesidade e doenças crônicas na idade adulta. Por isso, alimentação saudável, atividade física e políticas de prevenção desde a infância são consideradas fundamentais para conter o avanço do problema.
A obesidade está associada a maior risco de diferentes doenças crônicas, incluindo problemas cardiovasculares, renais e osteomusculares, além de determinados tipos de câncer. O cenário reforça a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso a alimentos saudáveis, incentivem a prática regular de exercícios e reduzam fatores que favorecem dietas de baixa qualidade.
Com o crescimento registrado nas últimas décadas, o excesso de peso deixou de ser uma questão restrita a grupos específicos e passou a representar um dos principais desafios de saúde pública do país. A prevenção, segundo pesquisadores, precisará envolver não apenas escolhas individuais, mas também medidas relacionadas à alimentação, educação, atividade física e ambiente em que a população vive.
0 Comentário(s)