Os preços do petróleo voltaram a subir com força diante da paralisação do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, atingido por um ataque de drone, e da escalada de tensões em rotas estratégicas do Oriente Médio. O contrato futuro do Brent avançou US$ 2,93, ou 2,8%, e fechou a US$ 107,54 o barril, enquanto o WTI subiu US$ 2,88, ou 2,9%, encerrando o pregão a US$ 102,93.
A infraestrutura atingida transporta o petróleo do leste saudita até o Mar Vermelho e sua interrupção coloca em risco o equivalente a cerca de 4% da oferta mundial. O porto de Yanbu, que absorve os embarques quando o oleoduto está fora de operação, dispõe de estoque suficiente para apenas cinco a sete dias de exportações, segundo estimativas do setor — o que explica a reação nervosa do mercado.
A pressão sobre os preços não se limita à Arábia Saudita. Forças houthis do Iêmen, alinhadas ao Irã, avançaram sobre a ilha de Perim, ampliando o controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb, por onde passam de 4% a 5% da oferta global. No estreito de Ormuz, uma embarcação foi atingida por disparos e precisou ser evacuada pela tripulação, e um tripulante morreu em um navio comercial iraniano atingido nas proximidades das águas do país. Um encontro previsto entre países do Golfo e o Irã, que seria realizado em Omã, acabou adiado.
O movimento se soma à alta de 8% registrada na semana anterior, quando a commodity rompeu a marca dos US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho. Para o Brasil, a escalada tem efeito duplo: melhora a receita de exportação do setor, mas pressiona combustíveis e o cenário de inflação justamente quando o Banco Central discute a continuidade do ciclo de corte de juros.
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