Em um momento histórico para a governança sanitária mundial, os Estados Unidos oficializaram sua retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS) em janeiro de 2026, encerrando uma participação contínua de quase oito décadas nessa agência da ONU criada para coordenar respostas a crises de saúde pública. A decisão foi amplamente criticada por autoridades em saúde e especialistas internacionais, que afirmam que ela coloca em risco a segurança global e compromete a cooperação necessária para enfrentar ameaças sanitárias emergentes.
A saída se concretizou após um processo formal iniciado em 2025 por meio de um decreto executivo do presidente norte-americano, que acusou a entidade de falhas na gestão da pandemia de COVID-19 e de não ter implementado “as reformas urgentes” exigidas por Washington. Como parte desse processo, os EUA suspenderam o financiamento, retiraram pessoal e limitaram sua participação institucional, interrompendo a contribuição financeira que por décadas representou uma parte significativa do orçamento da organização.
Segundo a OMS e observadores internacionais, a medida traz consequências profundas para a segurança sanitária global, dado que a cooperação multilateral, o compartilhamento de dados epidemiológicos e a resposta coordenada a surtos infecciosos dependem de um forte envolvimento de todos os países, especialmente dos que detêm maior capacidade técnica e financeira. A agência emitiu comunicado oficial afirmando que a decisão “tornará tanto os EUA quanto o mundo menos seguros diante de futuras emergências de saúde”.
Especialistas em saúde pública alertam que a saída pode enfraquecer sistemas de vigilância epidemiológica e programas essenciais de controle de doenças como HIV/Aids, tuberculose e malária, especialmente em regiões onde a OMS atua fortemente, como o continente africano. Analistas destacam que muitas redes de monitoramento e assistência dependem de financiamento e suporte técnico que agora sofrerão lacunas significativas.
Em entrevista recente à imprensa internacional, o ex-responsável por imunização de um importante centro de controle de doenças observou que a retirada dos EUA pode comprometer não apenas a capacidade global de detecção e resposta a infecções, mas também reduzir a eficácia de programas globais de vacinação, inclusive para a gripe sazonal, cuja formulação anual depende de dados coletados por sistemas coordenados pela OMS.
Além das implicações práticas, a saída dos EUA representa um desafio simbólico à cooperação internacional em saúde, num momento em que especialistas alertam para a necessidade de fortalecer mecanismos de prevenção, detecção e resposta a pandemias futuras. A perda de um dos principais financiadores e líderes mundiais em saúde pública expõe fragilidades no sistema multilateral e pode incentivar outras nações a repensarem seu compromisso com instituições globais.
Organismos internacionais enfatizam que a proteção da saúde pública em escala global exige não apenas recursos, mas confiança nas estruturas coletivas de vigilância e solidariedade, algo que, segundo muitos especialistas, ficou abalado com a decisão de Washington.
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