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Parlamentares governistas aumentam críticas a mercado e juros altos antes de reunião do Copom

Com a proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana, aliados do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevaram o tom e iniciaram uma pressão conjunta contra o mercado financeiro e o Banco Central (BC) por uma redução da taxa básica de juros - hoje em 13,75% ao ano.

Antes da vitória de Lula na eleição presidencial deste ano, a aposta era de uma redução de 0,25 ponto porcentual, mas a vitória petista na disputa presidencial tem levado parte do mercado a rever a possibilidade de queda, diante da incerteza fiscal em relação ao novo mandato do petista.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou nesta segunda-feira, 2, a mudança nas projeções dos analistas para a taxa básica de juros após o segundo turno das eleições. Em postagem na rede social X, o parlamentar afirmou que "estão fazendo política e sabotando a nossa economia" e que a taxa Selic não deve ser decidida pelo "humor do mercado financeiro". Além disso, o parlamentar cobrou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

A deputada e ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann (PR) também publicou em suas redes sociais na manhã desta segunda-feira um texto com críticas ao mercado. "Esse mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo. Não causa estranheza que estiveram torcendo e apoiando Flávio Bolsonaro para presidente", diz a postagem na rede social X.

O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) engrossou a ofensiva. "Os juros têm que baixar, mas não pode ser na marra. As contas precisam ser equilibradas, mas não pode ser cortando de quem mais precisa. Os bilionários irão pagar a conta, SIM, porque foi esta a decisão das urnas", disse em postagem nas redes sociais. "Não podemos aceitar que a política econômica seja refém dos interesses de quem ganha muito com juros elevados", finalizou.

As manifestações mais recentes estão alinhadas com o discurso adotado na última sexta-feira pelo ex-ministro da Casa Civil Rui Costa em entrevista ao Metrópoles, em que afirmou que há muita "especulação" e busca de "ganhos extraordinários" no setor financeiro.

No fim de semana, um artigo do economista André Lara Resende com críticas à atual política monetária do Banco Central entrou no foco. No texto, publicado no dia 25 de setembro no Substack, o economista, que foi um dos formuladores do Plano Real, também questiona a prioridade dada às despesas primárias.

Lara Resende é um dos pais do Plano Real e foi presidente do BNDES no governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele se aproximou do petista na campanha presidencial de 2022.

Lara Resende propôs reduzir a taxa básica de juros gradualmente ao longo de aproximadamente 12 meses, até atingir cerca de 7,5% ao ano. Defendeu a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), que definiria metas fiscais e monetárias para um período de quatro a cinco anos à frente.

Depois, o jornal O Globo noticiou que o economista André Lara Resende e Lula devem se encontrar nesta semana. Em nota, o presidente do PT nacional, Edinho Silva, criticou o que chamou de "especulações na área econômica" e reforçou que apenas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, pode falar pelo governo na área econômica.

Neste domingo, 1º, Durigan negou que o governo Lula estude adotar uma política econômica de tabelamento de juros e de uso de reservas para segurar o câmbio. "Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação", afirmou o ministro. Ele se aproximou do petista na campanha presidencial de 2022. Durigan também negou o encontro.

"Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende", disse Durigan.

O Copom se reúne nesta semana. Depois das eleições, cresceu o número de bancos e analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que esperam a manutenção da Selic em 13,75% nesta reunião, mas a mediana das estimativas ainda indica um corte. Também caiu a expectativa de novas reduções de juros para 2027. Na última reunião, de setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto.

Pós-eleição

A semana que sucedeu o segundo turno das eleições presidenciais foi marcada por forte disparada do dólar e das taxas de juros futuros. O Ibovespa - principal índice da B3, a Bolsa brasileira - teve sua pior semana desde março de 2020, no início da pandemia, ao tombar 18,12%. O índice caiu 0,75%, aos 167.921 pontos.

Já o dólar fechou a semana em alta de 9,04%, a maior desde a crise financeira global, em outubro de 2008. A moeda americana avançou 1,05%, para R$ 5,4443, seu maior valor de fechamento desde dezembro de 2025. Em outubro, a alta foi de 5,20%.

O comportamento reflete preocupações com o futuro fiscal do País após a reeleição do presidente Lula e a aversão ao risco no exterior, impulsionada pelas apostas em um aperto monetário nos EUA e pelo pessimismo quanto ao retorno dos e investimentos na área de IA. A cautela foi reforçada pela ausência de anúncios de medidas de ajuste de gastos para o próximo mandato e de indicação de nomes que vão compor a nova equipe econômica.

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