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PF mira Cezinha de Madureira em operação sobre tráfico de influência

PF mira Cezinha de Madureira em operação sobre tráfico de influência

A Polícia Federal deflagrou na segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência, que tem como um dos alvos o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, autorizados pelo ministro Flávio Dino, do STF. Não houve pedidos de prisão nem afastamento do mandato parlamentar.

A investigação apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Segundo a PF, o grupo investigado teria negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influir em decisões judiciais. Em uma das negociações mencionadas nos autos aparecem R$ 500 mil, e em outra, R$ 2 milhões pela revogação de uma prisão preventiva. Tudo isso, é preciso frisar, permanece no campo da suspeita: nada foi comprovado e não há acusação formal apresentada até agora.

Um dado concreto ajuda a entender a linha da apuração. Em 25 de agosto, R$ 510 mil em espécie foram apreendidos com a advogada Valéria Rodrigues Linhares, esposa do deputado, no Aeroporto de Congonhas. A apreensão é fato; a ligação desse dinheiro com o esquema investigado é hipótese de trabalho da polícia. Os investigados teriam citado nomes de ministros de tribunais superiores durante as negociações — mas o uso dos nomes, segundo a apuração, partia deles próprios.

Esse ponto merece cuidado especial. A Polícia Federal declarou expressamente que não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados, e Dino registrou na decisão que não existem indícios de que magistrados tenham solicitado ou recebido qualquer vantagem indevida. O contexto que aproxima o caso do noticiário recente é outro: Cezinha de Madureira foi um dos intermediadores do encontro entre o ministro André Mendonça e Daniel Vorcaro, ocorrido em março de 2025 em São Paulo, fora das dependências do STF. Mendonça confirmou o encontro e afirma que apenas ouviu o empresário, e que sua decisão posterior foi contrária ao interesse defendido por ele. A defesa do deputado nega irregularidades, diz que ele recebeu a operação com tranquilidade e se coloca à disposição das autoridades, mas questiona o momento da medida, por entender que deveria ter sido conduzida a distância de qualquer circunstância eleitoral.

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