Um vilarejo de cerca de 350 moradores no condado de Oxfordshire, na Inglaterra, decidiu se declarar independente do Reino Unido. Em uma consulta organizada pelos próprios habitantes, Piddington aprovou a separação por 285 votos a 26, com comparecimento próximo de 92%. Antes que alguém consulte o mapa: nada muda. O referendo não tem qualquer validade jurídica, e o vilarejo continua sendo parte do Reino Unido como sempre foi.
A votação é, na prática, um protesto. O governo britânico planeja instalar em uma base militar desativada, a pouco menos de um quilômetro dali, um alojamento para mais de 1.250 solicitantes de asilo — todos homens, e mais de três vezes a população local. Para os moradores, a proporção entre o tamanho do vilarejo e a do centro previsto é o principal problema. A data escolhida para a consulta também foi simbólica: 15 de setembro, quando o país marca o Dia da Batalha da Grã-Bretanha.
Segundo os organizadores, o gesto rendeu mais de 500 contatos de outras comunidades interessadas em repetir a ideia. Um dos responsáveis pelo conselho local afirmou que representantes do governo não foram até o vilarejo conversar com os moradores sobre o projeto — ponto que está no centro da insatisfação.
Em resposta, o primeiro-ministro Andy Burnham reconheceu as preocupações da comunidade, mas defendeu que regiões mais ricas também assumam parte da acomodação de solicitantes de asilo, em vez de concentrar a demanda nas áreas mais pobres. O episódio dá dimensão local a um debate que atravessa a política britânica há anos e que segue sem solução consensual.
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