As diferenças entre os programas econômicos de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) devem ocupar parte importante do primeiro debate presidencial do segundo turno, neste domingo (18). Os candidatos apresentam visões distintas sobre ajuste fiscal, investimentos públicos, programas sociais e redução das despesas federais. O pano de fundo é uma dívida bruta do governo geral que chegou a 82,9% do PIB em agosto.
Lula defende que o equilíbrio das contas públicas seja construído com crescimento econômico, geração de empregos e aumento da arrecadação. Seu programa mantém o arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas ao avanço das receitas, e aponta a retomada do crescimento e o controle do aumento do gasto primário como caminho para melhorar as contas. O plano também fala em justiça tributária, combate a privilégios, manutenção da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e continuidade do Novo PAC. Em entrevista coletiva em Brasília, em 8 de outubro, Lula afirmou que a dívida cai em relação ao PIB quando há crescimento e investimento em infraestrutura.
O petista também promete preservar investimentos e políticas sociais, argumentando que cortes amplos poderiam prejudicar a população mais vulnerável e reduzir a atividade econômica. Ao criticar a proposta do adversário, apelidada de "tesouraço", Lula disse: "Eles fazem essa proposta para tirar do pobre". O programa petista prevê ainda manter a política de valorização do salário mínimo e apoiar o fim da escala 6x1, com jornada de 40 horas semanais sem redução salarial.
Flávio Bolsonaro propõe diminuir o tamanho da estrutura federal, vender imóveis da União e promover uma redução mais ampla dos gastos públicos. Seu programa prevê uma reforma administrativa, o corte de pelo menos dez ministérios e a redução de cargos comissionados. Em entrevista televisiva na sexta-feira (16), ele afirmou que a União tem mais de 30 mil imóveis, muitos sem uso, que poderiam ser vendidos, colocados em fundos ou securitizados. Citou ainda uma gestão mais eficiente das estatais, o combate à corrupção, a recuperação de créditos devidos à União e a ampliação da exploração de petróleo na Margem Equatorial.
O candidato do PL afirma que aposentadorias, salário mínimo e benefícios essenciais seriam preservados. Ele prometeu reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação e negou mudanças nos pisos constitucionais de saúde e educação. "Eu não vou fazer economia com as pessoas que mais precisam do governo", disse. Flávio também acusou o adversário de "fazer terrorismo" ao afirmar que ele acabaria com servidores e estatais. Seu programa prevê revisar a reforma tributária para reduzir a alíquota do IVA e tem como meta um crescimento médio de 4% do PIB ao ano.
A viabilidade das medidas e o impacto sobre a dívida pública devem ser questionados durante o debate. No caso de Lula, o plano não detalha a trajetória da dívida, nem metas de juros ou de resultado primário, nem como os compromissos de investimento e renda seriam financiados. No caso de Flávio, o programa não especifica quais despesas seriam cortadas, como as reduções de impostos seriam compensadas nem quais ativos financiariam os investimentos; o próprio candidato admitiu que o corte de ministérios tem impacto fiscal limitado. As duas propostas dependeriam de aprovação do Congresso.
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