A Índia possui mais de 1,4 bilhão de habitantes, enorme mercado esportivo e uma relação centenária com o futebol. Ainda assim, sua seleção masculina nunca entrou em campo em uma Copa do Mundo. A história poderia ter sido completamente diferente em 1950, quando o país teve a oportunidade de participar justamente do Mundial realizado no Brasil.
A Índia ficou com a vaga asiática para aquela Copa após a desistência de seus adversários nas eliminatórias. O país chegou a ser incluído no grupo que teria Itália, Suécia e Paraguai, mas desistiu antes do início da competição. Desde então, jamais conseguiu retornar à fase final de um Mundial.
Durante décadas, uma explicação curiosa ganhou fama: os indianos teriam desistido porque a Fifa não permitiria que seus jogadores disputassem a Copa descalços. Parte da equipe realmente havia atuado sem chuteiras nos Jogos Olímpicos de Londres, em 1948. A versão, entretanto, é contestada por pesquisadores e relatos posteriores de integrantes daquela geração.
Documentos e estudos sobre o episódio apontam uma combinação de fatores. A viagem até o Brasil era longa e complexa, havia problemas relacionados à preparação e à escolha dos jogadores e, principalmente, a Copa do Mundo ainda não possuía para os dirigentes indianos a importância que adquiriria nas décadas seguintes. Naquele período, os Jogos Olímpicos eram vistos como uma prioridade maior.
O episódio se tornou uma das grandes oportunidades perdidas da história do futebol indiano. Depois de 1950, o país nunca mais chegou tão perto de disputar o Mundial. O governo indiano reconheceu oficialmente em resposta ao Parlamento, em 2022, que a seleção nunca participou da fase final de uma Copa masculina ou feminina.
Há também uma questão cultural. Apesar da popularidade do futebol em regiões como Bengala Ocidental, Goa e Kerala, o críquete ocupa posição dominante no cenário esportivo nacional, concentrando enorme parcela de audiência, investimento e atenção.
Mais de sete décadas depois daquela oportunidade perdida, a Índia continua tentando transformar seu gigantesco potencial populacional em resultados dentro de campo. A história de 1950 permanece como uma lembrança incômoda: o país teve uma Copa do Mundo ao alcance das mãos, mas decidiu não disputá-la.
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