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Poupança tem saque líquido de R$ 10,57 bilhões em agosto

Poupança tem saque líquido de R$ 10,57 bilhões em agosto

Os brasileiros tiraram da caderneta de poupança R$ 10,573 bilhões a mais do que depositaram em agosto, segundo dados divulgados pelo Banco Central na quinta-feira (10). No mês, os depósitos somaram R$ 357,652 bilhões e os saques, R$ 368,225 bilhões. Foi o terceiro mês consecutivo de resultado negativo e um agravamento em relação a julho, quando a saída líquida havia ficado em R$ 7,152 bilhões, e também na comparação com agosto do ano passado, que registrou R$ 7,6 bilhões.

O termo técnico para esse resultado é captação líquida negativa, e a ideia por trás dele é simples: basta comparar quanto entrou e quanto saiu. Quando as retiradas superam os depósitos, a diferença é o saque líquido. Isso não significa que a poupança tenha encolhido a ponto de desaparecer — o saldo total aplicado continua em torno de R$ 1,016 trilhão, e em agosto os rendimentos creditados adicionaram outros R$ 6,507 bilhões ao estoque.

No acumulado de 2026, a poupança registra retirada líquida de R$ 57,082 bilhões, com R$ 2,865 trilhões em depósitos e R$ 2,922 trilhões em saques. Maio foi o único mês do ano com resultado positivo. O comportamento dá continuidade a uma sequência ruim: em 2025, a caderneta perdeu R$ 85,6 bilhões, depois de uma saída de R$ 15,5 bilhões em 2024.

Duas explicações costumam ser apontadas por analistas. A primeira é a concorrência de outras aplicações: com a Selic em 14% ao ano, definida pelo Copom em agosto, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR — regra que vale sempre que a taxa básica está acima de 8,5% ao ano —, um retorno inferior ao de títulos públicos e de aplicações de renda fixa com liquidez diária. A segunda razão é menos ligada a investimento e mais ao dia a dia: planejadores financeiros ouvidos pela imprensa especializada apontam que boa parte dos saques vem de famílias endividadas que recorrem à reserva para quitar dívidas ou completar o orçamento. Vale acompanhar: o Copom volta a se reunir nesta terça e quarta-feira, com expectativa de mercado de novo corte na Selic.

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