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Diário de Notícias

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Queimadas avançam no Amazonas e Ibama notifica 304 imóveis rurais em áreas de alto risco

O avanço das queimadas no Amazonas acendeu um novo alerta ambiental nesta quinta-feira (24). O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou responsáveis por 304 imóveis rurais localizados em sete municípios do estado para que adotem medidas de prevenção contra incêndios florestais. A iniciativa ocorre em meio ao aumento expressivo dos focos de calor registrados na região durante setembro.

Entre os dias 1º e 22 deste mês, o Amazonas registrou 3.240 focos de queimadas, segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizados 942 focos. A diferença representa um crescimento de aproximadamente 244% em um ano.

A situação já provoca impactos perceptíveis na capital amazonense. Manaus vem enfrentando episódios de intensa fumaça, e medições realizadas pela Universidade do Estado do Amazonas apontaram níveis considerados péssimos de qualidade do ar. Em uma das medições, a concentração de partículas finas chegou a 291 microgramas por metro cúbico, mais que o dobro do patamar utilizado para classificar a qualidade do ar como péssima.

A notificação publicada pelo Ibama determina a adoção de ações preventivas nos imóveis rurais situados em regiões identificadas pelo monitoramento ambiental como áreas de elevado risco de incêndio. Entre as medidas estão o manejo de materiais que podem servir como combustível para as chamas, a proteção de áreas ambientalmente sensíveis e o reforço da vigilância durante os períodos mais críticos.

O órgão ambiental também alerta que o descumprimento das determinações pode caracterizar infração administrativa, além de gerar eventuais responsabilidades nas esferas civil e penal. A estratégia busca reduzir a possibilidade de novos incêndios e evitar que focos iniciados em propriedades rurais avancem sobre áreas de vegetação.

A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e condições climáticas associadas ao El Niño contribui para deixar a vegetação mais suscetível ao fogo. Especialistas também chamam atenção para a mudança na distribuição das ocorrências: embora os incêndios sejam recorrentes no sul do Amazonas, focos recentes avançaram para regiões próximas à área metropolitana de Manaus.

Além da destruição da vegetação e dos impactos sobre a fauna, a fumaça das queimadas representa risco à saúde. O material particulado fino presente no ar pode atingir profundamente os pulmões e entrar na corrente sanguínea, enquanto a exposição intensa pode provocar sintomas como irritação nos olhos, nariz e garganta. Com a continuidade do período seco, o monitoramento das queimadas e as ações de prevenção permanecem como prioridade ambiental no estado.

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