Existe um trecho de São Paulo onde dá para começar a tarde num café, tomar uma taça de vinho no meio do caminho e terminar a noite num restaurante italiano sem andar mais do que alguns quarteirões. É a rua Ferreira de Araújo, em Pinheiros, que nos últimos anos se transformou em um dos polos gastronômicos mais densos da capital: são mais de três dezenas de casas espalhadas em pouco mais de um quilômetro.
O adensamento foi tanto que a própria prefeitura precisou intervir — a via, antes de mão dupla, virou mão única para dar conta do movimento. A variedade é o que chama atenção. A rua reúne italianos como Tartuferia San Paolo, Píu, Nelita, Modern Mamma Osteria, La Nonna di Lucca e Due Cuochi Trattoria; japoneses como o Wafu e o café Pato Rei; cozinha brasileira no Canto do Picuí, dedicado a receitas alagoanas; e sabores do Oriente Médio no Shuk Falafel & Kebabs e no Filó.
Os wine bars ajudam a explicar boa parte do movimento recente. O formato ganhou espaço em São Paulo nos últimos anos ao aproximar o vinho de ambientes mais informais, com rótulos servidos em taça e porções pequenas em vez do jantar completo. Na Ferreira de Araújo, endereços como Sampa Vinho e Primitivo Vinhos convivem com botecos tradicionais como o Vaca Véia, com o bar de tapas Me Vá e com confeitarias e padarias — Confeitaria Dama, Le Bon Gâteau, Cora Pâtisserie e Padaria Filosófica entre elas.
A graça da rua, no fim, é que ela funciona como passeio e não apenas como destino. Para quem mora em São Paulo ou está de visita, a região virou uma alternativa aos circuitos mais tradicionais dos Jardins, Itaim Bibi e Vila Madalena, com a vantagem de concentrar tudo em uma área pequena e caminhável. Como em qualquer polo em expansão, casas abrem e fecham com alguma frequência, então vale checar horários e reservas antes de sair — especialmente nos fins de semana, quando as filas se formam cedo.
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