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Rússia não detectou "patologia infecciosa" em contatos da pesquisadora morta por suposta peste

A Rússia afirmou nesta quinta-feira, 8, que não foi detectada "nenhuma patologia infecciosa" após o monitoramento das pessoas que tiveram contato com a funcionária do Instituto de Combate à Peste da Sibéria, falecida em decorrência de uma "pneumonia".

"O acompanhamento médico de todas as pessoas que tiveram contato com a paciente foi encerrado. Não foi detectado nenhum problema de saúde relacionado a uma patologia infecciosa", anunciou Igor Kobzev, governador da região de Irkutsk, no aplicativo de mensagens Max.

No início desta semana, a imprensa russa informou que uma funcionária de um laboratório teria morrido de peste pneumônica na Sibéria, na última sexta-feira, 2.

Darya Shipilova, de 28 anos, trabalhava no Instituto de Combate à Peste de Irkutsk, na Sibéria. Ela foi internada na terça-feira da semana passada, 29, no Hospital Distrital de Shelekhov, e morreu três dias depois, após uma suspeita de infecção por peste pneumônica. A agência de notícias estatal russa TASS afirmou que ela foi diagnosticada com pneumonia de etiologia desconhecida.

O jornal russo People of Baikal, citando fontes anônimas próximas aos serviços de segurança regionais, afirmou que Darya poderia ter contraído a peste pneumônica por meio de um tubo de ensaio quebrado.

O Serviço Federal de Supervisão da Proteção dos Direitos do Consumidor e Bem-Estar Humano da Rússia, conhecido como Rospotrebnadzor, afirmou nesta quarta-feira que não há "nenhum risco epidêmico" na Sibéria.

"Não existe nenhum risco epidêmico para a população de Irkutsk e da região de Irkutsk", acrescentou.

Segundo o órgão, a técnica de laboratório "havia sido vacinada e tinha imunidade contra as infecções perigosas com as quais trabalhava".

O Rospotrebnadzor afirmou ainda que duas comissões de especialistas em segurança biológica concluíram que "não foi constatada nenhuma situação de emergência relacionada ao manuseio de microrganismos patogênicos".

Embora o caso tenha gerado preocupação internacional, a emissora estatal russa e outros veículos de comunicação nacionais controlados pelo Estado evitaram abordar o assunto. Alguns jornais patrocinados pelo governo retiraram reportagens anteriores sobre o caso, que tem sido destaque na mídia independente.

Na terça-feira, 6, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu transparência por parte da Rússia.

"Compartilhar informações de forma oportuna, completa e transparente, conforme o Regulamento Sanitário Internacional, é essencial para esclarecer relatos conflitantes e permitir uma avaliação precisa dos possíveis riscos à saúde pública", escreveu Adhanom em uma publicação no X.

O diretor também afirmou que a OMS tomou conhecimento de relatos da imprensa sobre um segundo funcionário do instituto "com pneumonia de causa indeterminada", sem dar muitos detalhes sobre o caso.

Horas antes, o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, já havia afirmado que a organização acompanha o caso.

"A avaliação inicial de riscos realizada pela OMS, com base nas informações disponíveis, indica que o risco é de moderado a baixo para Irkutsk, baixo para a Federação Russa como um todo e muito baixo para a região europeia", disse Lindmeier em Genebra.

Rússia nega restrições sanitárias

A peste pneumônica é uma infecção pulmonar altamente contagiosa que pode ser fatal, segundo a OMS. A doença é transmitida por meio de gotículas, ao contrário da peste bubônica, que afeta os gânglios linfáticos e é transmitida por pulgas infectadas.

As autoridades russas afirmam que a doença não foi detectada durante a autópsia.

O Rospotrebnadzor negou ter imposto restrições sanitárias em Irkutsk após a morte da pesquisadora.

Segundo o órgão, um documento que circula na internet com supostas medidas sanitárias e epidemiológicas adotadas na região é falso. "O documento e as informações em questão não provêm de fontes oficiais e são falsos", afirmou o Rospotrebnadzor em uma postagem no Telegram

Ainda na terça-feira, a Embaixada dos EUA em Moscou emitiu um alerta de saúde reforçando a orientação para que cidadãos americanos que estejam na Rússia deixem o país "imediatamente".

Mongólia ordena 'vigilância' na fronteira

Nesta quarta-feira, a Mongólia anunciou ter ordenado medidas de "vigilância sanitária" em sua fronteira com a Rússia diante da suspeita de peste.

"Embora o nível de risco atual seja baixo, o Ministério da Saúde instruiu os órgãos competentes a adotar medidas de precaução e a manter vigilância e acompanhamento contínuos, a fim de prevenir possíveis riscos", afirmou o governo mongol.

*Com informações de agências internacionais.

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