São Luís completou 414 anos nesta terça-feira (8) e comemora a data com uma programação de shows gratuitos que se estende por todo o mês de setembro, concentrada na Cidade da Alegria, no centro histórico, ao lado do Terminal da Praia Grande. A agenda passeia por reggae — em homenagem ao apelido de Jamaica Brasileira e ao Dia Municipal do Reggae —, pop, sertanejo, samba, MPB, gospel e rock, sem cobrança de ingresso.
A data escolhida remonta a 8 de setembro de 1612, quando o francês Daniel de La Touche, senhor de La Ravardière, e seus companheiros realizaram uma solene cerimônia na ilha em nome do rei da França. O relato do capuchinho Claude d'Abbeville, testemunha ocular, descreve um ritual que misturava religião e política: procissão, crucifixos, água benta, participação indígena e o estandarte francês erguido como afirmação de soberania. Foi ali que nasceu o projeto da França Equinocial, e o nome da futura cidade homenageava o jovem rei Luís XIII.
A história, no entanto, tem mais camadas do que a efeméride sugere. Historiadores como Euges Lima argumentam que aquele 8 de setembro não foi uma fundação de cidade, e sim uma cerimônia de tomada de posse do território — prática comum entre potências europeias ao reivindicar terras no Novo Mundo. A transformação do episódio em ato fundador teria vindo bem depois, com a obra de José Ribeiro do Amaral publicada em 1912, no tricentenário da cidade. O debate segue vivo entre pesquisadores, e não há nos documentos da época uma declaração explícita de fundação. A aventura francesa, de todo modo, durou pouco: os portugueses venceram os franceses na batalha de Guaxenduba, em 1614, e consolidaram o domínio sobre a região no ano seguinte.
O que restou dessa história em camadas está de pé até hoje. O centro histórico de São Luís, com seu conjunto de casarões cobertos de azulejos portugueses, é Patrimônio Mundial reconhecido pela Unesco desde 1997 e um dos maiores acervos arquitetônicos coloniais da América Latina. A cidade contemporânea, por sua vez, ultrapassou 1 milhão de habitantes segundo o IBGE — são 1.037.775 moradores no levantamento mais recente — e é hoje a quarta capital mais populosa do Nordeste. O crescimento espalhou o comércio para bairros como Cidade Operária, Cohab e Cohatrac, que se transformaram em polos próprios, enquanto o casario do centro segue como o cartão-postal de uma capital que nasceu, ou tomou posse de si mesma, há mais de quatro séculos.
0 Comentário(s)