GENEBRA — Exatos seis anos depois de declarar a COVID-19 uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a questionar se o mundo está realmente mais preparado para outra pandemia comparado ao início da crise sanitária que marcou o início da década. Segundo declaração oficial da entidade, embora avanços concretos tenham sido alcançados em várias frentes, grandes desafios ainda persistem para garantir uma resposta global mais eficaz diante de novas ameaças à saúde pública.
Em 2 de fevereiro de 2026, na abertura da 158ª sessão do Conselho Executivo da OMS, o diretor-geral Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou que a experiência acumulada nos últimos anos trouxe aprendizados valiosos — especialmente em vigilância epidemiológica, coordenação internacional e capacitação técnica — mas que o progresso é ainda “frágil e desigual” entre países e regiões.
A declaração destacou que medidas tomadas desde o fim da emergência de saúde em 2023 incluem ampliações nos mecanismos de resposta a surtos, parcerias para pesquisa e desenvolvimento de vacinas e fortalecimentos das capacidades nacionais de detecção e resposta. Entre as iniciativas estão também frameworks regionais de vigilância e intercâmbio de dados que visam tornar mais rápida a identificação de novos agentes infecciosos.
Entretanto, a OMS sublinha que a preparação global ainda não está suficientemente robusta. A organização aponta lacunas persistentes em sistemas de saúde, desigualdades no acesso a tecnologias médicas, e deficiências na cooperação entre países como obstáculos importantes para que a resposta diante de um novo surto seja rápida e coordenada.
Especialistas e responsáveis por políticas públicas ouvidos pela reportagem reforçam que a transição da resposta de emergência para uma capacidade sustentável de gestão de ameaças infecciosas é um processo complexo. Parte dessa transformação está em andamento: em dezembro de 2025 a OMS lançou um plano estratégico unificado para gestão de ameaças por coronavírus, integrando diretrizes para COVID-19, MERS e potenciais novas variantes, com foco em fortalecer sistemas nacionais de vigilância e resposta.
Apesar disso, a amplificação de fenômenos como a desigualdade de acesso a vacinas e diagnósticos durante a COVID-19 ainda ecoa entre os países de baixa e média renda, alertando que a próxima pandemia poderia aprofundar ainda mais essas disparidades. A coordenação entre governos, setor privado e instituições internacionais continua sendo apontada como essencial para que medidas eficazes de prevenção e resposta ganhem escala global.
A avaliação mais recente da OMS aponta para uma conclusão ambivalente: enquanto áreas técnicas e científicas avançaram, a capacidade de garantir uma proteção equitativa e resiliente em todas as regiões do mundo ainda exige compromissos maiores e cooperação contínua entre as nações.
0 Comentário(s)