Setembro é o mês da campanha Setembro Verde, dedicada à conscientização sobre doação de órgãos e tecidos, e os números ajudam a entender por que ela existe. Dados do Ministério da Saúde apontam mais de 48 mil pessoas na fila de transplantes no país. A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos trabalha com um recorte mais amplo, que ultrapassa 73 mil pessoas — a diferença entre os levantamentos está no critério: um contabiliza apenas quem está com cadastro ativo, o outro inclui pacientes temporariamente inaptos a receber o órgão.
Em qualquer dos recortes, o rim aparece como o órgão mais esperado. Segundo a ABTO, quase 39 mil pessoas aguardam um transplante renal, o equivalente a cerca de 53% de toda a fila. Fígado, coração, pulmão, pâncreas e córneas completam a lista. O Brasil mantém um dos maiores sistemas públicos de transplante do mundo, com a quase totalidade dos procedimentos realizados pelo SUS, mas a disponibilidade de órgãos segue como o principal gargalo para reduzir o tempo de espera.
E é aqui que entra o ponto central da campanha. No Brasil, a doação após a morte depende obrigatoriamente da autorização da família — não existe registro oficial de doador que dispense esse aval. Por isso, especialistas insistem que manifestar o desejo aos parentes ainda em vida é a atitude mais importante para viabilizar o processo. Não há idade máxima definida para doar: a possibilidade é avaliada caso a caso pelas equipes médicas, conforme as condições dos órgãos e tecidos.
Outro ponto que costuma gerar dúvida é como funciona a fila. A posição de um paciente na lista não depende apenas da ordem de inscrição: entram no cálculo critérios médicos como compatibilidade entre doador e receptor, gravidade do quadro clínico e tempo de espera. Um único doador pode beneficiar várias pessoas, o que amplia bastante o impacto de cada autorização concedida por uma família. A campanha aposta justamente nessa conversa doméstica — dizer aos seus que você quer ser doador é, na prática, o que pode transformar a intenção em transplante.
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