A Apple liberou em 14 de setembro, junto com o iOS 27 e o iPadOS 27, a versão reformulada da Siri — a maior mudança no assistente em cerca de uma década. A nova Siri chega em estágio beta e responde, por enquanto, apenas em inglês. O suporte a português, espanhol, francês, japonês e coreano está previsto para outubro, e já aparece nas versões de teste do iOS 27.2.
O atraso foi longo o suficiente para virar história à parte. A Apple apresentou a Apple Intelligence em junho de 2024 e prometeu uma Siri contextual pouco depois, mas o recurso escorregou sucessivas vezes no calendário. Em fevereiro deste ano, Mark Gurman, da Bloomberg, reportou mais um adiamento: o assistente saiu do iOS 26.4, previsto para março, e foi fatiado entre uma atualização de maio e o próprio iOS 27, depois de a empresa encontrar problemas nos testes do software.
A promessa técnica é considerável. A nova Siri roda sobre a terceira geração dos Apple Foundation Models, com um modelo local chamado AFM Core Advanced e um modelo de nuvem, o AFM Cloud Pro, processado na infraestrutura de Private Cloud Compute. O assistente passa a entender contexto pessoal em Mensagens, Mail, Fotos, Calendário, Notas e Lembretes, reconhece o que está na tela, executa ações dentro de aplicativos, sustenta perguntas de acompanhamento e ganhou app próprio com histórico criptografado de ponta a ponta. Aplicativos de terceiros como WhatsApp, Audible, Microsoft Outlook e Notability já aparecem integrados. Há também parceria com o Google: os modelos da Apple são refinados a partir de saídas do Gemini, embora Craig Federighi, vice-presidente sênior de engenharia de software da companhia, tenha feito questão de dizer que nada do Google Assistant é usado no produto.
As ressalvas, porém, não são poucas. A Siri reformulada exige iPhone 16 ou superior, ou os iPhone 15 Pro e Pro Max, além de Macs e iPads com chip M1 ou mais recente — uma fatia bem menor do parque instalado do que o próprio iOS 27 alcança. O sistema pode ocupar até 14 GB de armazenamento nos aparelhos com o modelo local avançado. A Apple impôs cotas diárias de uso para a Siri e outros recursos de IA e já sinalizou que o acesso ampliado será cobrado no futuro. O recurso também não está disponível na União Europeia nem na China, por questões regulatórias. A resposta à pergunta do título, portanto, ainda depende de onde se vive, de qual aparelho se tem e de quanto se está disposto a pagar adiante.
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