A estrutura da curva a termo ensaiou ganhar alguma inclinação nesta quarta-feira, 11, com vetores domésticos sendo mais relevantes tanto para queda da parte curta quanto de discreta alta dos trechos longos, mas terminou o pregão ainda comportada e com estabilidade dos vértices mais distantes.
Tendo como pano de fundo o enfraquecimento do dólar, que forneceu alívio à curva, o mercado monitorou o cenário eleitoral, que trouxe pesquisa com quadro ligeiramente mais favorável para a oposição, e declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência e já tido como o principal nome da direita na disputa.
Por volta das 15 horas, ele participou como entrevistado da CEO Conference do BTG Pactual. Pouco depois, os vencimentos a partir de janeiro de 2031 chegaram a tocar máximas intradia, movimento que logo perdeu força. As falas que teriam desagradado o mercado foram sobre escolhas de Flávio para o ministro da Economia (atual Fazenda) e para o cargo de vice-presidente, ambas com elevada expectativa dos agentes e ainda não definidas.
A parte curta, por sua vez, seguiu operando no terreno negativo ao longo da tarde, ignorando a abertura dos Treasuries mais curtos após o payroll de janeiro ter mostrado que o mercado de trabalho norte-americano ainda segue aquecido. Nesse trecho da curva, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também no evento do BTG, teve influência de baixa.
Galípolo comunicou que suas afirmações em outro evento na segunda-feira, consideradas mais conservadoras, não tiveram como objetivo corrigir interpretação do mercado sobre a condução da política monetária. O esclarecimento reforçou a aposta já majoritária de que a Selic deve ser reduzida em 0,5 ponto porcentual na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom), afastando especulações de que o banqueiro central teria tentado sinalizar um ajuste menor anteriormente, de 0,25 ponto.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 cedeu de 13,374% no ajuste anterior a 13,34%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 12,741% no ajuste de ontem para 12,705%. O DI para janeiro de 2031 ficou praticamente estável, em 13,14%, vindo de 13,145% no ajuste.
Na máxima da sessão, esse vértice chegou a alcançar 13,37%, depois do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ter afirmado que não tem "prazo nenhum para anunciar o ministro da Economia". "A imprensa especula Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG e o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, mas não conversei com nenhum", disse o senador.
Sobre o candidato a vice de sua chapa, Flávio avaliou que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) seria "um grande nome" para o cargo, mas que também ainda não teve uma conversa com ele, e que seus elogios ao político durante o evento não significam um convite.
"Flávio disse que está muito cedo para falar em ministro e o mercado tem ansiedade sobre esse tema. Isso pode ter mexido na ponta longa, porque conversa com o risco fiscal", avaliou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez. "E também há uma ansiedade sobre o vice. O melhor cenário para o mercado seria o Flávio até o final da disputa eleitoral, e que Zema seja o vice", apontou.
Às 14h, foi publicada pesquisa Genial/Quaest, que segue indicando o presidente Lula como líder em todos os cenários de primeiro turno, assim como nas simulações de segundo turno. O levantamento, por outro lado, consolidou Flávio como principal adversário da oposição, com 38% das intenções de voto, contra 43% do atual presidente. Na edição de janeiro da pesquisa, a diferença entre os dois candidatos era maior, de 7 pontos porcentuais.
O resultado deu apoio à dinâmica dos DIs observada até então, de recuo marginal das taxas intermediárias e longas, que não aceleraram a queda depois da pesquisa. "A pesquisa mudou muito pouco os DIs", disse Tavares, ao trazer um cenário "marginalmente melhor" para a possibilidade de troca de ciclo político. "É como se a direita, de forma geral, tivesse ganhado uma casinha no tabuleiro. Foi um passo muito pequeno".
Lá fora, com impacto apenas pontual e modesto sobre a curva de juros local, o payroll do primeiro mês do ano mostrou que a economia americana criou 130 mil empregos no período - quase o dobro da mediana de 67 mil postos do Projeções Broadcast. Depois do dado, o mercado passou a precificar uma menor probabilidade de redução de juros pelo Federal Reserve em junho.
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