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Diário de Notícias

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Taxas de juros disparam com aumento das apostas em alta de juros nos EUA

Os juros futuros dispararam nesta Superquarta, diante do aumento dos ruídos em torno do acordo entre EUA e Irã, e, principalmente, da leitura "hawkish" do comunicado do Federal Reserve (Fed), que levou a uma reprecificação das apostas para juros americanos.

No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2031 avançava de 14,296% na terça no ajuste para 14,570%, e a do DI para janeiro de 2029, de 14,403% para 14,685%. O DI para janeiro de 2028 tinha taxa de 14,640% (de 14,428%) e a do DI para janeiro de 2027 subia de 14,256% na terça no ajuste para 14,320%.

Na primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) sob o comando de Kevin Warsh, os juros foram mantidos na faixa entre 3,50% e 3,75% como amplamente esperado, mas os mercados reagiram negativamente à elevação generalizada das medianas para juros nos próximos anos, segundo o gráfico de pontos. O Fomc trouxe um comunicado enxuto, evitando deixar guidance para a política monetária. Assim, a maioria das apostas para o aperto no juro migrou de outubro para dezembro.

Embora o Fomc tenha evitado dar sinalização sobre seus próximos passos, a percepção é de que o caminho para um aperto monetário que traga de volta a inflação para a meta de 2% está aberto. Não só pelo o que trouxe o comunicado, mas pelas declarações de Warsh na entrevista coletiva e do próprio presidente Donald Trump. Sempre crítico à gestão de Jerome Powell por não reduzir juros, ele admitiu que o banco central pode subir juros este ano. "Pode acontecer", afirmou.

"Parecia haver uma restrição política para subir juros antes das eleições, mas parece que não há mais. O mercado está precificando alta em outubro já", afirmou o economista da Meraki, Rafael Ihara.

O mercado viu uma postura bastante firme de Warsh no objetivo de estabilidade de preços, admitindo que a inflação "está bem acima da meta" e de que a função do Fed é garantir que não haja efeitos de segunda ordem sobre os preços. "Temos a capacidade e o compromisso de manter a inflação em 2%", afirmou.

O economista-chefe da CVPar, Marcelo Fonseca, afirma que havia alguma desconfiança de que o Fed, sob o comando de Warsh, poderia ceder à pressão de Trump por corte de juros. "Mas o Fomc manteve o compromisso com a estabilidade de preços e parece seguir olhando atentamente para o mandato da inflação", disse.

É nesse clima de cautela externa que o Copom decidirá logo mais sobre o futuro da Selic. Nas opções digitais da B3, a aposta de redução de 14,50% para 14,25% aparecia no fim da tarde com 77% de probabilidade, contra 23% de chance de manutenção.

Inspirado pelo Fomc, o Copom também pode evitar colocar qualquer guidance para a política monetária. "O BC já se comprometeu demais com esse movimento e vai entregar o corte de 0,25 pp, que é consenso por parte do mercado. A partir daí, acho que ele vai deixar de sinalizar, assim como fez o Fed, abandonando o forward guidance. Vai deixar de fazer sua sinalização futura e adotar uma postura de observância aos dados", afirma Fonseca, para quem o BC deveria, mas não vai, manter a Selic estável na reunião desta quarta.

Antes da decisão do Fed as taxas rondavam a estabilidade, mas já haviam subido pela manhã em meio às dúvidas em relação à formalização do acordo entre Estados Unidos e Irã, após Trump alertar sobre a possibilidade de Teerã não assinar o pacto. "Não quero bombardear o Irã de novo, mas talvez seja preciso", ameaçou. Os ruídos geopolíticos, porém, foram relegados a segundo plano após o comunicado do Fed.

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