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Diário de Notícias

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Taxas de juros encerram de lado com cautela pré-2º turno e pressão global na renda fixa

Os juros futuros operaram em alta moderada durante boa parte do pregão que marca a reta final para o segundo turno da eleição presidencial, mas perderam ímpeto nas horas finais da sessão e fecharam praticamente de lado. Relatos sobre trackings internos que teriam mostrado um melhor resultado para Flávio Bolsonaro, segundo agentes, podem ter sido responsáveis pela moderação das taxas, assim como algum alívio no cenário externo.

A percepção de que o quadro segue indefinido a poucos dias da decisão, porém, desfavorece apostas direcionais, enquanto novo estresse na renda fixa global contribui para rigidez maior dos vértices longos.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 cedeu de 12,918%, no ajuste da sexta-feira, para 12,845%. O DI para janeiro de 2029 caiu a 12,660%, vindo de 12,718% no ajuste, e o DI para janeiro de 2031 passou de 12,771% a 12,730%.

Em igual horário, o juro da T-note americana de dez anos subia de 5,085% a 5,140%. O retorno do OAT francês de igual vencimento saltou de 4,786% a 4,931% no fechamento, com percepção de que a crise fiscal se deteriorou, após uma onda de protestos no final de semana contra o aumento do custo de vida e a piora dos serviços públicos.

O ambiente externo chegou a pressionar a curva de DIs por volta das 14h30, quando quase todos os vértices renovaram máximas intradia em reação ao petróleo, que tocou o patamar de US$ 110 no caso do Brent. Após volatilidade, a commodity fechou em queda de 0,28% e manteve essa tendência no pregão eletrônico.

Para um agente que pediu anonimato, a desaceleração do petróleo foi o pano de fundo da melhora dos DIs, mas o principal componente foi político. "Pode ser algum movimento de melhora do Flávio. Tem relatos de trackings que estão mostrando ele 3 pontos a frente", afirmou à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).

Nos levantamentos desta segunda-feira, 19, a tendência de aproximação entre o presidente Lula e seu oponente se manteve. Na Atlas/Bloomberg, o senador tem 49,8% das intenções de voto, contra 47,6% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto, não há empate técnico.

A BTG/Nexus mostrou um quadro ainda mais apertado, com 46,5% dos votos totais em Flávio e 45,9% no incumbente. A distância numérica entre os dois candidatos passou de 2,8 pontos para 0,6 ponto, tecnicamente empatados.

"Além das pesquisas, as declarações dos candidatos, as propostas econômicas e os possíveis impactos fiscais das medidas discutidas durante a campanha permanecem entre os principais fatores de atenção", afirmou o estrategista-chefe da Avenue Securities LLC, William Castro Alves.

Nesta segunda, o primeiro debate entre Lula e Flávio foi esvaziado na discussão de propostas e, para analistas, terminou sem um vencedor claro, o que, de acordo com Alves, não trouxe elementos suficientes para provocar uma mudança definitiva nas expectativas eleitorais ou na precificação dos ativos. "O cenário permanece em aberto".

Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a política fiscal brasileira permanece no centro da precificação dos ativos, especialmente após notícias sobre a intenção do governo de realocar R$ 20 bilhões no Orçamento e ampliar medidas econômicas na reta final eleitoral. O desafio não está apenas no volume das despesas, mas na capacidade de financiar compromissos permanentes sem comprometer a trajetória da dívida pública, disse.

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