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Diário de Notícias

DN.

Taxas encerram em forte queda, com correção parcial da disparada pós-eleição

Os juros futuros negociados na B3 fecharam em firme queda nesta terça-feira, 27, corrigindo apenas parte da reprecificação histórica ocorrida em resposta à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo agentes, o nível estratosférico das taxas, que ontem ultrapassaram 15%, incentivou a entrada de aplicadores, ao mesmo tempo em que novo leilão de recompra de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) do Tesouro Nacional ajudou a acalmar os ânimos.

Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,696%, no ajuste da véspera, a 13,642%. O DI para janeiro de 2029 recuou a 14,740%, vindo de 15,223% no ajuste, e o DI para janeiro de 2031 anotou baixa de 15,279% a 14,850%.

"O nível das taxas abre uma oportunidade para quem estava fora, ou para quem tinha alguma 'gordura' - mas acredito que poucos", afirmou um trader à Broadcast (Sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). No fechamento de segunda, o DI para janeiro de 2028 chegou a 14,905%, o para janeiro de 2029 saltou a 15,250% e o para janeiro de 2031, a 15,240%.

Também em caráter reservado, um economista de uma grande tesouraria disse que a correção não se deu por nenhuma indicação do novo governo, dado que os sinais emitidos até agora vão em sentido contrário ao de consolidação fiscal.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou neta terça-feira, 27, que não está em discussão o envio de uma proposta de ajuste fiscal, e que as prioridades do Executivo no Congresso são a PEC da segurança, a gratuidade do transporte público aos fins de semana, a MP que acaba com as bets e, por fim, o Orçamento de 2027.

Sobre os nomes ventilados para comandar a Fazenda - que incluem o vice Geraldo Alckmin, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o governador reeleito no Piauí, Rafael Fonteles (PT) - a fonte se mostra cética. São nomes que "enganam um pouquinho o mercado, suavizam um pouco a piora, mas não vejo chance de alguém bom que realmente ancore". Galípolo negou nesta terça que foi sondado para o cargo.

Enquanto investidores locais aguardam medidas concretas, algumas instituições estrangeiras veem os preços atuais como ponto de entrada interessante. Segundo Sergi Lanau, diretor de mercados emergentes da Alpine Macro, o "sell-off" nos juros brasileiros foi longe demais, e a ponta curta da curva parece ser a mais "mal precificada" agora.

"Câmbio e juros em todos os prazos estão atraentes, a menos que haja uma crise constitucional. A forma mais contundente de expressar nossa visão é na ponta curta da curva. O cenário de inflação não mudará radicalmente com eventos políticos", diz Lanau.

Já o banco australiano Macquarie avalia que o Brasil irá "seguir em frente" sob um quarto mandato de Lula e permanecerá distante de um cenário de calote, dado que o resultado nas urnas apenas "estende o status quo". "Lula enfrentará disciplina do mercado e do Banco Central, resultando em um equilíbrio marcado por tensão, mas não por catástrofe", dizem os estrategistas Thierry Wizman e Gareth Berry, que apostam em um achatamento da curva.

O Tesouro Nacional também contribuiu para acalmar o mercado local de renda fixa nesta terça, ao recomprar 3,82 milhões de NTN-B das 4 milhões anunciadas em leilão de recompra. Nos cálculos da Warren Investimentos, a operação "retirou" US$ 2,1 milhões de risco ao mercado (DV01). O leilão regular de LFT, por sua vez, foi cancelado.

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