Ainda que com oscilações comedidas às vésperas do feriado de Carnaval e sem gatilhos relevantes, a curva de juros futuros teve na segunda etapa do pregão o melhor comportamento entre os ativos domésticos de risco nesta sexta-feira, 13.
Enquanto o dólar seguiu avançando ante o real e a Bolsa reduzia perdas, a curva de DIs continuou lateralizada na véspera do feriado de Carnaval, com a ponta curta saindo do terreno negativo no meio da tarde e, mais perto da reta final dos negócios, registrando máximas intradia, mas sem fôlego para se afastar dos ajustes anteriores.
Segundo agentes de mercado, o movimento, natural antes de períodos em que o mercado de renda fixa não opera, refletiu aumento de posições defensivas, e não teve outros 'triggers', em um dia de agenda doméstica enxuta e em que o desempenho dos DIs foi em grande parte conduzido pelo exterior.
Nos Estados Unidos, a curva de Treasuries cedeu com o índice de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) ligeiramente abaixo do previsto, o que forneceu alívio às taxas futuras no Brasil, com maior influência na parte longa. Por aqui, a queda acima do previsto do varejo em dezembro, divulgada hoje, consolidou percepção de que a atividade perdeu fôlego no fim do ano passado, sem no entanto, exercer impacto relevante sobre a curva.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,309% no ajuste anterior para 13,31%. O DI para janeiro de 2029 passou de 12,69% no ajuste de ontem para 12,665%. O DI para janeiro de 2031 anotou queda a 13,08%, vindo de 13,127% no ajuste.
A estrutura da curva a termo também pouco se mexeu no cômputo semanal, com o vértice de janeiro de 2027 devolvendo apenas 5 pontos-base ante o fechamento da última sexta-feira. Já o contrato para janeiro de 2029 e o de janeiro de 2031 diminuíram 9,5 pontos-base e 12,5 pontos-base pela ordem, o que conferiu redução da inclinação da curva na semana.
"O mercado está certo de não reagir muito", avalia Marcelo Bacelar, gestor de fundos multimercados da Azimut Brasil Wealth Management, para quem as últimas declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, buscam não se comprometer com a magnitude do primeiro corte na Selic. "Tem que fechar a implícita mais longa, ou o câmbio cair muito, ou a atividade começar a ser mais fraca no primeiro trimestre" para uma movimentação maior da curva, afirma Bacelar.
Sobre o pregão de hoje, o sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein, aponta que o arrefecimento dos yields dos títulos do Tesouro americano, ocorrido após a publicação do CPI, ajudou a manter a curva local bem comportada. O alívio, em sua visão, poderia ser maior, não fosse o pesado leilão de prefixados realizado pelo Tesouro Nacional ontem.
O índice ao consumidor dos EUA subiu 0,2% em janeiro ante dezembro, segundo dados com ajuste sazonal do Departamento do Trabalho. Na comparação anual, o CPI avançou 2,4% em janeiro. Ambos os números ficaram 0,1 ponto abaixo da mediana do Projeções Broadcast. Para a Pantheon Macroeconomics, o resultado aponta que o Federal Reserve deve ter outra janela de oportunidade para flexibilizar a política monetária, caso mais dados confirmem a trajetória de moderação inflacionária.
Por aqui, o IBGE publicou na abertura dos negócios a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), que mostrou queda de 0,4% da atividade do setor, no conceito restrito (exclui automóveis e material de construção) entre novembro e dezembro, feitos os ajustes sazonais, quando o previsto pelo consenso de mercado era retração menor, de 0,1%. O dado, no entanto, pouco afetou a dinâmica da curva.
Segundo Bacelar, devem fazer mais preço os dados de atividade a serem divulgados à frente, referentes já ao início deste ano. "O dado de varejo, assim como o de serviços de ontem, fala pouco do que aconteceu no início do ano, com estímulos como a isenção do Imposto de Renda. O mercado está esperando mais os números de agora", disse.
A despeito do indicador de atividade aquém do esperado, o DI para janeiro de 2027 oscilou a terreno positivo nas duas horas finais do pregão, sem muito impulso, porém. Diretor de gestão e economista da Alpha Wave Capital, Tiago Hansen afirma que a reversão deve ser reflexo apenas de posições defensivas montadas antes do feriado de Carnaval, que deixará os mercados de renda fixa aqui e nos EUA fechados nos próximos dois dias.
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