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Diário de Notícias

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Taxas ignoram payroll e recuam, ainda em correção de disparada pós-eleição

Os juros futuros encerraram a primeira semana de novembro com alívio no pregão e no cômputo semanal. Após terem perdido pouco mais de 10 pontos-base na quinta-feira, as taxas ainda encontraram espaço para ceder nessa sexta-feira, 6, em um movimento visto mais como continuidade da correção da forte disparada após as eleições do que pela redução do risco associado à política fiscal.

Neste domingo, o presidente Lula fará um pronunciamento em cadeia de rádio e TV. É esperado que, após ignorar anseios para discutir medidas fiscais, Lula faça um aceno ao mercado com um discurso mais amigável. Nesta sexta, contudo, o petista rebateu críticas sobre a postura fiscal de seu último governo e reforçou que programas sociais não serão cortados, o que esfriou expectativas sobre a fala do final de semana.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 caiu de 14,327%, no ajuste de quinta, a 14,295%. O DI para janeiro de 2029 anotou baixa de 14,729% a 14,665%, e O DI para janeiro de 2031 recuou de 14,978% a 14,900%.

Na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,75%, mas afastou perspectivas de alta de juros no curto prazo, a curva a termo perdeu inclinação, com queda de cerca de 30 pontos-base no vértice de janeiro de 2031, de 27 pontos no vencimento de janeiro de 2029, e de 19 pontos no de janeiro de 2028.

Para o especialista de investimentos do research da EQI, João Abdouni, a estratégia "higher for longer", ou seja, de juros elevados por um período mais prolongado, poderia contribuir para a convergência do IPCA à meta no horizonte relevante. Essa alternativa, segundo Abdouni, evitaria um aperto monetário adicional de aproximadamente 110 pontos-base precificado pela curva de DIs.

"Embora os riscos fiscais permaneçam relevantes, a perspectiva de desaceleração da atividade e de gradual acomodação da inflação poderá permitir que o Banco Central retome o processo de flexibilização monetária ao longo dos próximos anos", diz o especialista, o que torna papéis prefixados atrativos em uma janela de médio prazo. Ele pondera, contudo, que o cenário fiscal seguirá relevante para precificar os ativos locais, especialmente os DIs longos.

Ao discursar na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nesta sexta, o presidente Lula rechaçou críticas sobre a irresponsabilidade fiscal do governo e disse que o Executivo possui brigas internas para manter a política econômica crível. Reiterou, ainda, que os pobres não irão "pagar a conta" do ajuste, e declarou que o superávit primário deste ano, de 2,8% do PIB, não foi o que o mercado gostaria, mas o que "deu para fazer".

Questionado sobre o que esperar para o pronunciamento presidencial deste domingo, um gestor de uma grande asset comentou que não há expectativas. "Nunca gastar mais do que tem. É o máximo que espero", disse, em referência a uma fala de Lula sobre sua mãe, com quem aprendeu que "ninguém pode gastar mais do que tem". Para o profissional, o único possível alívio sobre a curva de juros na sessão foi o governo "não requentar um nome heterodoxo".

Já um trader avalia que o movimento da curva nesta sexta foi muito mais técnico, ainda em devolução após o elevado patamar alcançado pelas taxas, do que devido a alguma notícia concreta. Quando o mercado zera posições, sempre ocorre um "certo exagero" e há uma perda de referência, explicou.

Nos Estados Unidos, a curva de Treasuries foi pressionada pelo payroll, que indicou um mercado de trabalho sólido ao mostrar a abertura de 165 mil vagas em outubro. A estimativa mediana do mercado era de 60 mil vagas. O principal relatório de emprego dos EUA foi ignorado pelo mercado local de juros, que andava de lado antes do dado e passou a recuar depois dele.

"Os números mostram que o mercado de trabalho americano continua forte, enquanto a inflação segue elevada. Esse cenário justifica a manutenção de uma política monetária restritiva e reforça nossa expectativa de que o Fed volte a subir os juros em dezembro", diz Felipe Mecchi, economista do C6 Bank.

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