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Diário de Notícias

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Taxas longas sobem com leilão pesado de prefixados e curva ganha inclinação

Os juros futuros negociados na B3 percorreram o pregão em alta nesta quinta-feira, 19, mais acentuada nos trechos longos, o que conferiu ganho de inclinação à estrutura da curva a termo.

Enquanto a parte curta seguiu praticamente estável, dado que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mais forte do que o previsto não mudou perspectivas para a trajetória da Selic, o robusto leilão de prefixados realizado hoje pelo Tesouro Nacional adicionou prêmio de risco aos vértices mais distantes.

As taxas alcançaram máximas intradia no final da manhã, após o resultado do certame que ofertou ao todo 23 milhões de prefixados. O lote de 8 milhões de Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F) foi colocado integralmente e, nas Letras do Tesouro Nacional (LTN), foram vendidos 13,95 milhões de 15 milhões de títulos. Em ambos os casos, os vencimentos foram concentrados em papéis mais longos, o que pressionou os DIs.

Pela manhã, os rendimentos dos Treasuries operaram em alta reagindo a dados de mercado de trabalho e comércio dos EUA, movimento revertido no meio da tarde nos vencimentos mais longos, após leilão do Tesouro americano de US$ 9 bilhões em títulos atrelados à inflação (Tips). Mesmo assim, a curva local continuou em ascensão, reforçando que o vetores de pressão sobre as taxas futuras hoje foram domésticos.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,297% no ajuste de ontem para 13,295%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 12,631% no ajuste anterior a 12,67%. O DI para janeiro de 2031 avançou a 13,115%, vindo de 13,042% no ajuste.

Economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez aponta que o leilão foi um dos principais componentes que explicam a elevação dos DIs nesta quinta, embora não tenha sido o único. "Hoje o Tesouro colocou bastante risco. Toda emissão de título é colocação de risco soberano, o que acaba puxando a demanda por DI", disse Sanchez, destacando que o vértice para janeiro de 2031 abria mais de 8 pontos-base ante o ajuste na parte da tarde. "O volume colocado pelo leilão foi grande, mas o DI curto segue ancorado na perspectiva de queda da Selic", observou.

Além das emissões do Tesouro, o economista acrescenta que o noticiário mais focado hoje no quadro fiscal do País, ainda que não tenha trazido novidades, pode ter figurado como outro vetor de inclinação para a curva de juros. O Valor Econômico, por exemplo, cita Sanchez, aponta que a equipe econômica do governo reconheceu que a Previdência Social e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) entrarão em "trajetória explosiva" de crescimento em dez anos, se nada for feito para mudar essa rota.

Do lado dos indicadores, a bateria de dados de dezembro foi fechada pelo IBC-Br, que cedeu 0,18% entre novembro e o último mês de 2025, feitos os ajustes sazonais, e acumulou expansão de 2,45% no ano. A mediana do Projeções Broadcast previa retração mais forte na passagem mensal, de 0,40%.

O termômetro mensal do BC para o PIB não alterou perspectivas para o desempenho da economia no último trimestre de 2025, que deve ter crescimento perto de zero, tampouco para a condução da política monetária, com as apostas ainda concentradas em um corte de 0,5 ponto porcentual dos juros em março.

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