O jornalista William Bonner foi apresentado oficialmente como coapresentador do Globo Repórter na tarde desta quinta-feira, 5, em um encontro com jornalistas, em São Paulo.
Bonner, que deixou o posto de âncora do Jornal Nacional em outubro de 2025, após 29 anos, vai ser colega de Sandra Annenberg, com quem já trabalhou em outros momentos, também na TV Globo.
Ao ser questionado sobre a vida após o JN e sobre o fato de, no passado, ter revelado que evitava lugares públicos com receio de ser hostilizado, Bonner afirmou que tem encontrado um clima mais ameno nas ruas, apesar da polarização política.
"Não sei se me odeiam menos, mas o clima no País não favorece [agressões]. Talvez uma atitude assim nem tivesse uma boa repercussão", disse.
O jornalista contou que começou a notar certa agressividade em relação a ele a partir de 2013, com as manifestações que tomaram as ruas do País. Para ele, naquele momento, ele era vítima do que chamou de "extrema esquerda". Ao longo dos anos, segundo ele, passou a ser alvo da "extrema direita".
Diante disso, ele evitava, por exemplo, a ponte área -- viajar entre Rio de Janeiro, onde mora, e São Paulo, para visitar seus pais. Temia ser envolvido em alguma situação para geração de conteúdo ofensivo.
Bonner garante que, atualmente, tem andado com mais tranquilidade, dentro e fora do País. Ele revelou que tem ido cortar os cabelos em um "barbeiro" perto de sua casa, no Rio. "Vou caminhando, de chinelos".
O jornalista, trabalhando temporariamente na Globo São Paulo, por conta de mudanças no cenário do Globo Repórter, contou que foi a pé de seu apartamento no bairro dos Jardins ao Masp, na Avenida Paulista. Contou que a iniciativa de ir ao museu, algo impensável nos tempos de Jornal Nacional, partiu dele, surpreendendo sua mulher, a fisioterapeuta Natasha Dantas. "Ela sempre teve vontade, mas era impossível antes", contou aos jornalistas, em tom descontraído.
Com isso, Bonner diz ter a "impressão de que os haters de direita estão mais calmos".
O jornalista, que estreia na apresentação do Globo Repórter no dia 20 de fevereiro, afirmou à reportagem do Estadão que não vai participar da cobertura das eleições 2026. "Titio William saiu do Jornal Nacional, acabou", disse, bem-humorado.
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