A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) divulgou nesta quinta-feira, 15, uma nota apontando riscos econômicos da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1.
A manifestação foi divulgada após encontro de empresários com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT), realizado pela manhã, no Hotel Wyndham Hangar, em Salvador.
Durante o evento, o governador contestou argumentos de que a mudança provocará prejuízos, desemprego e inflação. "Quando nós defendemos uma jornada justa para o trabalhador, serve também para o investidor saber que o trabalhador ou a trabalhadora dele pode produzir mais se for bem tratada, se tiver melhor saúde, se tiver uma boa relação de cuidados em casa", afirmou Jerônimo.
Na nota, a Fieb reconheceu a importância de melhorar as condições de trabalho, mas avaliou que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode elevar custos e comprometer a competitividade. A entidade apontou riscos especialmente para pequenas indústrias, construção civil e segmentos que operam continuamente, como a indústria química e petroquímica.
"A ausência de garantias claras quanto à preservação e à adequação dessas escalas às novas regras pode gerar insegurança jurídica", afirmou a Fieb, ao tratar dos turnos contínuos de seis horas e da escala 12x36.
A federação também argumentou que empresas com equipes reduzidas e margens limitadas podem enfrentar dificuldades para manter a produção, com risco de retração das atividades e redução do emprego formal. Defendeu estudos sobre os impactos econômicos, mecanismos de compensação e uma transição compatível com as características dos setores produtivos.
No encontro, Jerônimo classificou como ultrapassado o argumento de que a ampliação de direitos necessariamente causa prejuízos aos negócios. "O trabalhador precisa ser bem tratado, precisa ter direito", declarou.
O governador também elogiou a aprovação da mudança pelo Congresso e associou sua preservação à disputa presidencial. "Eu espero que isso não volte atrás, que o tesouraço não passe a tentar cortar a Constituição e cortar o que foi aprovado no Congresso ontem [quarta-feira]", afirmou.
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