O Brasil quer transformar a China em compradora de créditos de carbono brasileiros. O governo federal negocia com Pequim um entendimento que permita a venda de créditos internacionais e pretende anunciar um memorando de entendimentos (MOU) durante a COP31, a conferência do clima das Nações Unidas marcada para novembro, em Antália, na Turquia.
As conversas giram em torno dos ITMOs, sigla em inglês para Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente. Previstos no Artigo 6 do Acordo de Paris, eles funcionam como créditos gerados por reduções de emissões em um país e que podem ser transferidos a outro, que os usa para ajudar a cumprir suas próprias metas climáticas. Na prática, um projeto que evita emissões no Brasil poderia gerar créditos adquiridos pela China.
À frente das negociações está Cristina Reis, secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda. Ela afirmou que a intenção é anunciar o MOU na COP31 e que o país quer testar a hipótese de interesse chinês na compra de ITMOs brasileiros. Uma missão brasileira vai à China entre 14 e 18 de setembro para aprofundar as conversas, período em que também está prevista uma reunião em Wuhan da coalizão que reúne Brasil, China e União Europeia em torno da integração de mercados de carbono.
A aproximação faz parte de uma estratégia mais ampla de conectar o futuro mercado regulado brasileiro a sistemas de outros países. Segundo a subsecretária Ana Paula Cavalcante, uma integração plena entre mercados pode levar cerca de uma década. Por enquanto, o acordo com a China ainda é uma possibilidade em negociação, sem volumes ou preços definidos.
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