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Documentos revelam alerta prévio da inteligência espanhola sobre entrada em massa de migrantes em Ceuta

Documentos revelam alerta prévio da inteligência espanhola sobre entrada em massa de migrantes em Ceuta

Documentos do Centro Nacional de Inteligência (CNI) da Espanha, tornados públicos nesta quarta-feira (9), mostram que o serviço secreto espanhol alertou autoridades sobre uma possível tentativa de entrada de migrantes em Ceuta um dia antes da crise que levou dezenas de milhares de pessoas ao enclave espanhol no norte da África. O governo desclassificou cerca de 40 documentos, que incluem notas de inteligência e mensagens trocadas por aplicativo.

Segundo o material, em 29 de julho o CNI enviou uma nota urgente aos serviços de inteligência do Marrocos e ao representante do governo espanhol em Ceuta. O texto apontava que grupos em redes sociais, somando cerca de 180 mil seguidores, divulgavam planos para que migrantes escalassem as cercas da fronteira ou tentassem contorná-las a nado. No dia seguinte, 30 de julho, e em 31 de julho, mais de 70 mil pessoas entraram irregularmente em Ceuta, segundo estimativas divulgadas pela imprensa europeia. Os balanços de mortos e desaparecidos variam conforme a fonte, mas chegam a dezenas de vítimas.

O governo de Pedro Sánchez apresenta outra leitura. O primeiro-ministro afirma que de forma alguma se previu uma chegada tão massiva e sustenta que o CNI nunca alertou para uma entrada em massa, nem enviou um aviso formal à cadeia de comando do Executivo. Fontes do próprio serviço de inteligência admitem que o alerta falava em tentativas de entrada, mas que o órgão não antecipou a dimensão e a natureza do que acabou acontecendo. Sánchez também diz que não há provas concretas de que o Marrocos tenha planejado ou organizado a chegada dos migrantes, ponto contestado pelo presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, que fala em ação ou omissão marroquina.

A divulgação reacendeu a pressão política em Madri. O Partido Popular pediu a renúncia de Sánchez e o acusou de mentir, enquanto o Vox falou em traição e defendeu que o caso chegue ao Supremo. Partidos aliados, como ERC e PNV, cobraram explicações sobre a circulação da informação dentro do Estado. O que o governo sabia exatamente, e quando, segue no centro de uma disputa que ainda deve render novos capítulos.

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