O Brasil deu mais um passo na busca por autonomia tecnológica com o lançamento de um projeto voltado ao desenvolvimento de componentes nacionais para inteligência artificial. A iniciativa, realizada em Campinas, no interior de São Paulo, reúne instituições de pesquisa, universidades e empresas para reduzir a dependência brasileira de tecnologias importadas, especialmente no setor de semicondutores.
Batizado de Nó Computacional e Acelerador de Inteligência Artificial em RISC-V, o projeto será executado pelo Instituto Eldorado e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com participação do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer. A proposta utiliza uma arquitetura aberta de processadores, que permite desenvolver e personalizar componentes sem depender do pagamento de royalties por licenças proprietárias.
O investimento previsto é de R$ 125 milhões, sendo R$ 50 milhões destinados à primeira etapa e outros R$ 75 milhões programados para fases posteriores. Os recursos fazem parte dos esforços do governo federal para fortalecer a indústria tecnológica nacional. Segundo informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Brasil enfrenta atualmente um déficit anual de aproximadamente US$ 8 bilhões relacionado à dependência de semicondutores importados.
Entre os objetivos está a criação de aceleradores capazes de executar operações matemáticas complexas, fundamentais para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial. A tecnologia poderá ser aplicada em áreas como processamento de dados climáticos, geração de imagens e soluções industriais. O projeto também pretende estimular a formação de profissionais especializados e fortalecer Campinas como um dos principais polos de inovação do país.
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