Lula deve ir a Antália para entregar a presidência herdada de Belém; país leva mapas para o fim dos combustíveis fósseis e do desmatamento.
A 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP31, começa em pouco mais de uma semana, no dia 9 de novembro, em Antália, na Turquia, e vai até 20 de novembro. O encontro marca o fim da presidência brasileira, exercida desde a COP30, em Belém. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve viajar à Turquia para passar o bastão e defender o legado da conferência realizada na Amazônia.
A COP31 terá um formato inédito. A Turquia fica com a presidência formal, a organização do evento e a agenda de ações, sob o comando do ministro Murat Kurum, enquanto a Austrália, representada pelo ministro Chris Bowen, vai conduzir as negociações oficiais entre os países. O arranjo foi a solução encontrada para destravar a disputa entre os dois países pela sede.
O Brasil chega com uma agenda própria. Dois temas ficaram fora do texto final de Belém: um roteiro para a transição para longe dos combustíveis fósseis e outro para acabar com o desmatamento. O país levou as duas iniciativas adiante em paralelo, com apoio de 115 países e 247 atores não governamentais, como empresas, cidades e organizações, e pretende apresentá-las em Antália, além de uma atualização do plano para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), proposto pelo Brasil, soma US$ 7,8 bilhões em promessas, ainda US$ 2,2 bilhões abaixo da meta de US$ 10 bilhões para o fim de 2026.
O governo também vai exibir os números mais recentes da Amazônia. Segundo o Inpe, o desmatamento no bioma foi de 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, queda de 41,8% em relação ao período anterior e o menor patamar da série histórica, iniciada em 1988. No Cerrado, a redução foi de 23,8%. Ambientalistas alertam, porém, para o desafio interno: levantamento do Observatório do Clima indica que 68,9% dos parlamentares eleitos para o Congresso a partir de 2027 têm baixa ou muito baixa afinidade com a agenda ambiental.
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