MPT recebeu 1.459 registros em três dias; governo estuda lista suja com restrição de crédito público para empresas que perseguirem funcionários.
As denúncias de assédio eleitoral no trabalho aumentaram mais de 75% desde segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno. Foram 1.459 registros em apenas três dias, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), o que corresponde a cerca de 40% das 3.396 denúncias recebidas em todo o ano. São Paulo lidera, com 620 casos, seguido por Minas Gerais (351), Paraná (338), Rio de Janeiro (252), Rio Grande do Sul (223) e Santa Catarina (165).
O salto acompanha a multiplicação de relatos de demissões e boicotes contra funcionários que votaram em candidato diferente do patrão. A Justiça do Trabalho proibiu, em liminar, a deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ) de incentivar empregadores a perseguir trabalhadores, sob multa diária de R$ 5 mil, depois que ela sugeriu nas redes que empresários conferissem em quem os empregados votaram. O MPT também foi à Justiça para que a Meta remova publicações com esse tipo de incentivo.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que o governo estuda criar uma “lista suja” de empresas que pratiquem assédio eleitoral, com restrição de acesso a crédito público. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, prometeu resposta “dura e rápida” e alertou os empregadores para o risco econômico que estão assumindo.
Assédio eleitoral é crime e ocorre quando alguém usa sua posição de poder para pressionar trabalhadores por causa do voto. Quem for demitido por convicção política pode ir à Justiça: a lei prevê a reintegração ao emprego ou o pagamento em dobro dos salários do período de afastamento. As denúncias podem ser feitas no site do MPT.
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