Os juros futuros negociados na B3 registraram volatilidade pela manhã desta sexta-feira, 4, diante do estresse com a criação de emprego bem acima do esperado nos Estados Unidos. Contudo, acabaram firmando queda - pelo quarto pregão seguido - conforme o mercado voltou a dar mais peso a dois fatores domésticos: desaceleração econômica e disputa eleitoral acirrada. O quadro colabora para redução de prêmios na curva a termo, com queda de 31 pontos-base nos vértices intermediários e 40 nos longos ante o ajuste da última sexta-feira, 28.
Nesta semana, o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostrou qualitativo mais fraco e reforçou, assim como a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de julho, que a esperada desaceleração econômica está ganhando contornos mais intensos. Assim, reforça a tese de que o Banco Central (BC) pode vir a ter mais espaço para afrouxar a taxa Selic - embora a ponta curta da curva mais estável mostre que não houve grande mudança na precificação.
Para operadores de renda fixa, contudo, o maior respaldo para a redução dos prêmios de risco nos vértices intermediários e longos veio das pesquisas eleitorais indicando que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) tem ficado mais competitiva contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reacendendo esperanças por parte do mercado de possível endereçamento da questão fiscal no próximo governo.
A taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 fechou a 13,575%, de 13,567% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 caiu a 13,840%, de 13,883%, e o para janeiro de 2031 recuou para 14,080%, de 14,140% no ajuste de quinta.
A curva de DI está negociando dois vetores principalmente: desaceleração econômica, inclusive com preocupação em relação ao crédito podendo fazer com que a desaceleração se acentue ainda mais, e o noticiário político, resume o gestor de renda fixa e moedas da Asset1, André Shiokawa. Para ele, as pesquisas eleitorais atuaram como principal driver para a curva a termo não só nesta sexta, como ao longo da semana.
O chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia, nota que o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) é visto como um pouco mais fiscalista do que o atual governo. Por isso, quando as pesquisas eleitorais mostram um acirramento nessa disputa, há espaço para os juros caírem.
A Pesquisa DataFolha mostrou na quinta que a distância entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno se reduziu de quatro para dois pontos porcentuais desde agosto. Ainda nessa semana, Quaest também mostrou que a vantagem do petista caiu de três para um ponto porcentual desde a rodada divulgada em 14 de agosto. Já a Pesquisa PoderData/Aya mostrou Flávio à frente de Lula no segundo turno, pela primeira vez, com 45% a 44%.
Para Garcia, além de números de atividade desacelerando, os números de inflação corrente mais baixos e as expectativas, de certa maneira, estáveis também ajudam a curva a termo. Nesta sexta a XP Investimentos destacou a leitura de uma antecipação da desaceleração projetada para o ano que vem, o que a fez reduzir a projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2026, de 2% para 1,7%.
No exterior, o payroll de agosto acima do esperado alimentou expectativas de aumento de juros pelo Fed em setembro (probabilidade de 47,6%, segundo ferramenta do CME Group), mas os rendimentos dos Treasuries longos recuaram após o presidente Donald Trump voltar a pressionar por uma redução das taxas.
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