Os indicadores de monitoramento da Política de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural (E&P), com ano-base 2025, apontam que a política pública segue entregando resultados positivos para o setor no Brasil, segundo estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O desempenho reforça a posição do País entre os principais produtores e exportadores globais, sustentado pela expansão do pré-sal, pela manutenção da atratividade a investimentos e pela continuidade da atividade exploratória.
Segundo a EPE, o principal destaque do período foi a combinação de crescimento das reservas provadas, recorde de produção e avanço do Brasil no mercado internacional. As reservas provadas chegaram a 17,5 bilhões de barris de petróleo e 573 bilhões de m³ de gás natural. Já a produção nacional atingiu o maior patamar da série: 4,897 milhões de boe/dia, alta de aproximadamente 13% em relação ao ano anterior, confirmando o pré-sal como o principal vetor de crescimento da oferta.
Ao mesmo tempo, ressalta a EPE, a produção avançou mais rápido do que a incorporação de reservas. Com isso, a relação Reserva/Produção (R/P) recuou para 12,7 anos no petróleo e 19,2 anos no gás natural, enquanto o Índice de Reposição de Reservas (IRR) diminuiu para 146%.
"Apesar de os níveis ainda serem compatíveis com uma indústria em expansão, o quadro reforça a necessidade de manter o ritmo exploratório e incorporar novas reservas para sustentar o crescimento no longo prazo", diz o estudo.
No comércio internacional, o Brasil ampliou seu peso como exportador, aponta a EPE. As exportações bateram recorde de cerca de 2,06 milhões de barris por dia, elevando a participação brasileira no comércio mundial para 4,63%, o maior nível da série recente. Mesmo com preços internacionais mais moderados, o petróleo permaneceu entre os principais itens da pauta externa, com receitas próximas de US$ 44,5 bilhões.
"Embora 2025 tenha sido marcado por retração dos investimentos globais em E&P, o Brasil preservou sua posição entre os destinos mais atrativos", afirmou o estudo. "A fatia brasileira nos investimentos mundiais ficou perto de 5%, apoiada na produtividade do pré-sal, no ambiente regulatório considerado estável e nos investimentos previstos no Novo PAC e no Plano Estratégico da Petrobras."
A atividade exploratória também deu sinais de recuperação. Segundo o estudo, o número de poços exploratórios perfurados passou de 10 para 19 em 2025, enquanto as áreas contratadas continuaram em expansão, chegando a 431 blocos exploratórios.
A retomada em áreas de fronteira, incluindo a Bacia da Foz do Amazonas, indica esforço para ampliar a base de recursos do País. A taxa de sucesso exploratório subiu para 68%, embora o avanço para novas fronteiras envolva maior risco geológico.
Já na operação, de acordo com a EPE, os resultados seguiram favoráveis. Os fatores de recuperação nas principais bacias mantiveram-se estáveis e o Índice de Utilização do Gás Associado (IUGA) permaneceu elevado, em 97,1%, sinalizando alto aproveitamento energético e menores perdas operacionais - indicadores associados à competitividade e à eficiência dos ativos nacionais.
No recorte ambiental, os ativos brasileiros continuam com intensidade de carbono relativamente baixa na comparação com grandes produtores globais, especialmente nos projetos offshore do pré-sal, diz o estudo.
"Ainda assim, o aumento da intensidade de carbono e das emissões de metano nos dados mais recentes reforça a necessidade de continuidade dos esforços de descarbonização, em um cenário de maior exigência regulatória e de crescente peso dos critérios ambientais na atração de investimentos", ressalta a EPE.
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