Cientistas alertam que os oceanos estão passando por uma transformação ecológica significativa devido à rápida expansão de macroalgas (como sargassum) em várias regiões tropicais e subtropicais do mundo, um fenômeno que pode indicar um “regime shift” — uma alteração persistente no estado dos ecossistemas marinhos. Pesquisadores observaram que essas algas flutuantes, impulsionadas por aquecimento global e poluição por nutrientes, aumentaram de forma acelerada nas últimas duas décadas, com taxas médias de expansão de cerca de 13,4% ao ano nas áreas tropical do Atlântico e do Pacífico Ocidental, muito superior ao crescimento de microalgas, que cresceu em torno de 1% ao ano. Esse padrão sugere uma mudança estrutural na composição dos oceanos, com macroalgas dominando áreas antes menos ocupadas por esses organismos.
O crescimento dessas macroalgas tem sido documentado por meio de tecnologias de inteligência artificial aplicadas a mais de um milhão de imagens de satélite, que permitiram mapear com precisão a distribuição e a extensão das manchas de algas flutuantes na superfície oceânica. Segundo os pesquisadores, os maiores aumentos de biomassa e área observados ocorreram após 2008 ou 2010, coincidindo com períodos de aquecimento dos oceanos e maior aporte de nutrientes provenientes de escoamento agrícola e outros poluentes.
Esse fenômeno não apenas altera as características físicas dos oceanos — como a redução da penetração de luz nas camadas mais profundas da água — como também pode afetar processos biogeoquímicos, cadeias alimentares marinhas e a capacidade dos oceanos de sequestrar carbono, com impactos potenciais sobre a saúde dos ecossistemas, a pesca e as economias costeiras.
O episódio mais conhecido de expansão de macroalgas é o chamado Great Atlantic Sargassum Belt, uma vasta faixa de sargassum que se estende por milhares de quilômetros no Oceano Atlântico tropical, visível até do espaço e que tem afetado praias, turismo e vida marinha em áreas do Caribe e da costa americana. Essa faixa ilustra como as macroalgas podem se tornar dominantes em grandes porções dos oceanos, com consequências ecológicas e econômicas significativas.
Especialistas afirmam que compreender e monitorar essas mudanças é fundamental para antecipar os riscos e adotar estratégias de gestão e conservação mais eficazes, dado o papel crucial dos oceanos no clima global e na manutenção da biodiversidade.
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